A crise na segurança pública no Estado mais violento do Brasil gerou um fato inusitado: o traficante Ronaldo da Silva, 39 anos, tentou fugir da delegacia de Penedo- no sertão de Alagoas- vestido de mulher. Segundo a polícia, ele se depilou, pintou as unhas, colocou uma peruca e um vestido comprido.
“Já era feio. Ficou pior”, disse o agente de polícia, que o reconheceu.
“Vestido de mulher, com unhas pintadas, pernas e braços depilados, usando peruca e vestido comprido, o preso chegou a sair da carceragem. Mas ele foi recapturado em seguida, ainda quando disfarçado, e reconduzido à carceragem da Regional”, explicou o chefe de operações Carlos Welber, sobre o preso flagrado com mais de 16kg de maconha prensada.
“Em decorrência do número excessivo de presos, vamos adotar outras medidas
que venham a prevenir a ocorrência de fatos desta natureza. Hoje, dia de visita, limitada a dois familiares para cada preso, permaneceram no raio da carceragem cerca de 150 pessoas, número muito longe do ideal para o controle pelos policiais civis de plantão”, disse o delegado Rubem Natário.
A delegacia de Penedo tem tantos históricos de fuga que os agentes de polícia perderam as contas. 15% das delegacias de Alagoas, de acordo com o Sindicato dos Policiais Civis, enfrentam o mesmo problema: superlotação, falhas na estrutura física, necessidade de reforma. E não é diferente nos presídios: a Justiça pediu a interdição e a implosão da maior cadeia pública do Estado, o Baldomero Cavalcanti. A Corregedoria Geral de Justiça ameaça pedir intervenção federal. O Governo tem projeto, mas não tem dinheiro, para novo presídio.








