Torres revela na CPI: ‘Se soubesse dos atos de 8/1, não teria viajado”

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, durante entrevista coletiva sobre a Operação Eleições 2022 no segundo turno.

Nesta terça-feira (8/8), o ex-ministro da Justiça Anderson Torres compareceu à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro como testemunha por omissão nos atos que resultaram na depredação dos prédios dos Três Poderes, em Brasília. Ele se defendeu das acusações de envolvimento nos atos antidemocráticos e destacou que a Polícia Federal teve total liberdade para monitorar os acampamentos em frente ao Exército.

Torres também afirmou que houve falha na execução do Protocolo de Ações Integradas (PAI), que previa o fechamento da Esplanada dos Ministérios, e que se esse protocolo tivesse sido seguido à risca, os atos não teriam acontecido. Ele argumentou que não foi informado sobre os atos antidemocráticos em Brasília e que, se tivesse conhecimento do risco iminente de violência, não teria viajado para os Estados Unidos com sua família.

O ex-ministro foi questionado pelos membros da CPI, com destaque para a senadora Eliziane Gama, relatora da comissão. Ele também reafirmou que não é obrigado a responder perguntas que possam acarretar em autoincriminação, conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Anderson Torres foi preso preventivamente pelas suspeitas contra ele, mas foi solto em maio deste ano. Ele está proibido de deixar o Distrito Federal, de manter contato com os demais investigados e de usar redes sociais.

O depoimento do ex-ministro é considerado relevante para as investigações da comissão, principalmente no que diz respeito às operações de segurança durante as eleições presidenciais e aos ataques à sede da PF em Brasília e à tentativa de explosão de um caminhão tanque nos arredores do aeroporto da cidade.

Essas informações foram objeto de requerimentos na comissão e a quebra dos sigilos telefônicos e telemáticos de Torres também foi aprovada pelo colegiado.

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