Tornozeleira e invasão: Gabriel Monteiro é alvo de nova investigação

Menos de um ano após deixar a prisão e sob o uso de tornozeleira eletrônica, o ex-vereador e ex-PM Gabriel Monteiro voltou ao centro de uma polêmica jurídica. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Monteiro participando ativamente de uma operação contra um bingo clandestino em Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio.

Nas imagens, ele aparece destruindo uma porta, manuseando itens apreendidos e até auxiliando policiais do 16º BPM (Olaria) a contabilizar R$ 18,1 mil na delegacia.

O episódio gerou reação imediata das autoridades. A Promotoria junto à Auditoria de Justiça Militar solicitou à Corregedoria da PM a abertura de um procedimento para apurar a conduta dos agentes que permitiram a atuação de um civil na ocorrência.

Segundo especialistas, como o advogado James Walker, presidente da Anacrim, Monteiro pode responder por usurpação de função pública.

“Não parece razoável que alguém com liberdade mitigada exerça atividade inerente à polícia”, afirmou Walker em entrevista ao G1, sugerindo que o prestígio político de Monteiro pode ter facilitado um “favorecimento” indevido por parte da tropa.

A defesa de Gabriel Monteiro nega irregularidades, alegando que ele atuou apenas como denunciante e que “qualquer cidadão pode efetuar prisão em flagrante”. No entanto, este não é o único registro recente de “justiça por conta própria” do ex-parlamentar.

Ele também é investigado por invasão de domicílio na Zona Norte, onde entrou na casa de um morador sob pretexto de salvar um cachorro, e por uma denúncia de corrupção envolvendo flanelinhas no Centro, caso este suspenso pela Polícia Civil por falta de provas e materialidade.

Gabriel Monteiro foi solto em março de 2025 pelo STJ, após ficar detido desde 2022 por uma acusação de estupro.

As novas imagens agora integram um conjunto de inquéritos que analisam se o ex-PM está extrapolando os limites das medidas cautelares impostas pela Justiça ao mimetizar operações policiais para gerar conteúdo em suas redes sociais.

*Com informações do G1.

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