Os jogos de azar estão liberados no Brasil. Mas quem paga a conta é o Sistema Único de Saúde. Ou, no caso a seguir, o Estado.
O desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas Alcides Gusmão determinou a internação compulsória de um homem viciado em jogos de azar. O blog vai preservar a identidade.
A decisão foi tomada no início deste mês. O Estado terá de custear uma entidade onde ele possa se recuperar, através de tratamento médico, “de depressão e patologia relacionada a jogos de azar, por todo o período que se mostre necessário ao restabelecimento de sua capacidade mental e sua reintegração ao convívio familiar e em sociedade, a critério do(a) profissional médico(a) que o acompanhar, bem como providenciar todo e qualquer procedimento e/ou medicamento que, eventualmente, se fizer necessário”.
A decisão de Alcides Gusmão reconhece o tamanho da tragédia social, potencializada pelos jogos de azar.
Sempre é bom lembrar: há subnotificação destes casos e os motivos são variados. Também envolvendo a vergonha, o medo, a exposição da família.
De acordo com o SUS, são 464 atendimentos registrados até julho para os dependentes de jogos. Maioria? Homens.
Em 2021, Arthur Lira – já presidente da Câmara- defendeu a legalização dos jogos no Brasil em regime de urgência.
Lira viu as cifras: R$ 20 bilhões em impostos que supostamente iriam para os cofres públicos. Depois pensou nos empregos.
Não levou em conta os viciados e quem paga, de fato, a conta.
Ou seja: nós.
