O governador de Alagoas Luiz Cavalcante era um típico representante dos alagoanos no poder. E como tal se comportava. Foi assim quando os militares deram o golpe de Estado em 1964: o major Luiz, como era conhecido, rapidamente assumiu os trejeitos do novo regime, largando, de maneira oportuna, o passado.
Era um em 1962, quando se reuniu com o presidente da Petrobras Francisco Mangabeira, feliz pelos investimentos que a extração mineral traria a Alagoas.
E outro ao subir no palco do teatro Santa Isabel, em Recife, no dia 16 de abril de 1964, quando tratou de mostrar publicamente sua opinião sobre o passado (a “casa da Mãe Joana”) e o presente pós-golpe saudando o “chefe espiritual do movimento”, o marechal Odylio Denys, um dos articuladores do novo regime.
A justificativa do encontro era uma homenagem da colônia alagoana em Pernambuco ao governador. Porém, o discurso, transmitido pela rádio Difusora, lembrava um auto-exorcismo.
Foi neste dia que o major contou a história dos “tiros de água”, dados contra a esquerda e seus representantes.
Sem “medo de assombração”, o governador mandou debelar um grande protesto que, segundo ele, se organizava como resposta à vinda a Maceió do embaixador americano Lincoln Gordon. A CGT, segundo Cavalcante, trazia a Maceió, de trem e vindo de Recife, gente armada disposta a enfrentar a polícia.
O governador, num gesto surpreendente, pediu ao secretário de Segurança Pública, o coronel Mendonça (neto do marechal Floriano Peixoto) que agisse de maneira inusitada: contra as balas da esquerda, ordenou jatos de água direcionados para a multidão. E assim debelou o contra-golpe: com muita gente molhada e nenhum morto.
Com medo, na versão do governador, a esquerda se escondeu “debaixo da cama”. “Uma vitória extraordinária”, resumiu.
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