Plácido Fernandes Vieira-Correio Braziliense
A decisão de Serra de entrar na disputa pela prefeitura de São Paulo pegou os petistas de surpresa e antecipou a briga
pela Presidência da República em 2014. A iniciativa do tucano fez desandar, pelo menos momentaneamente, a ampla articulação com a qual o PT esperava eleger Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, prefeito da capital. E, com isso, enterrar de vez a oposição no país.
Agora, com o PSDB de volta ao páreo, e com seu candidato mais forte na parada, houve uma reviravolta no jogo. Nos bastidores petistas, as avaliações de que o tempo fechou para o pupilo de Lula obrigaram Dilma a entrar em cena e entregar o Ministério da Pesca para o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) apesar de ele pertencer a um partido com pouco peso político na base governista.
Em entrevista, Crivella confessou que não sabe sequer pôr uma minhoca num anzol. Mas o PT não se constrange com isso. A pescaria em que o partido está interessado é outra: o voto dos evangélicos. O senador é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho do dono da TV Record, o também bispo Edir Macedo.
A nomeação de Crivella é tentativa de aplacar a ira dos evangélicos com o kit gay, série de vídeos em defesa do homossexualismo que Haddad supostamente queria transformar em material didático nas escolas públicas. Pode ser, também, articulação para tirar do caminho a pré-candidatura de Celso Russomano (PRB-SP), hoje um dos favoritos segundo pesquisas de intenção de voto.
Não bastasse isso, há uma rebelião de peemedebistas em curso. De aliado, o PMDB ameaça virar um problemão caso leve adiante, pra valer, a pré-candidatura de Gabriel Chalita. Sem contar que há outro partido da base governista de Dilma pondo as unhas de fora em São Paulo: o PR de Tiririca. Se o palhaço que virou deputado entrar na briga pra ser prefeito, o PT se prepare. Pois aí é que pior fica.








