Relatórios de prefeituras, aprovados pelo Tribunal de Contas, mostram que a Corte está aprovando as contas dos
municípios com erros graves e suspeitas de corrupção. Em um dos casos até o traslado de corpos para o IML de Maceió seria muito mais barato e mais rápido se tivesse acontecido para o IML de Arapiraca.
O Tribunal de Contas de Alagoas tem a função de fiscalizar como o dinheiro público é gasto em prefeituras, Assembleia Legislativa e câmaras de vereadores, além do Governo. Na prática, não funciona assim. Na inicio deste mês, o conselheiro Anselmo Brito denunciou que as contas do ex-prefeito de Campo Alegre, Maurício Tenório, apresentavam irregularidades graves. A relatora do processo foi a conselheira Cleide Beserra.
As contas do ex-prefeito foram aprovadas com um voto de desempate: o do presidente do TC, Cícero Amélio.
Duas semanas depois, o Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), do Ministério Público Estadual, pediu a prisão de Maurício Tenório por montar um esquema de corrupção na cidade. Somente nesta cidade, o desvio foi de R$ 14 milhões.

Parte deste esquema havia sido mostrado pelo conselheiro do tribunal, Anselmo Brito. O Fundo Previdenciário da cidade, por exemplo, tem um saldo de R$ 80 mil e uma dívida de R$ 2 milhões.Um risco aos futuros funcionários públicos, que sequer terão dinheiro para se aposentar.
Havia ainda gastos se licitação, sem nota fiscal, merenda escolar comprada com uma diferença de 1000%, se fosse adquirida em Maceió, por exemplo.
Foram estas contas, com irregularidades graves, que foram aprovadas pelo Tribunal de Contas.
O Repórter Alagoas obteve alguns relatórios que mostram problemas ainda maiores nos municípios- todos com contas aprovadas pelo Tribunal de Contas: extratos bancários e valores usados em pagamentos possuem valores diferentes. Até mesmo o traslado de um corpo, incluindo a compra de um caixão, ficou tão cara que se a cidade optasse em levar o corpo a Maceió e trazendo a cidade com um caixão haveria dinheiro para o enterro e uma ajuda à família, geralmente sem recursos para arcar com despesas de cartórios após a perda de um parente.
Há ainda vários relatórios entregues, de prestação de contas, com valores bem diferentes uns dos outros para os mesmos serviços ou produtos comprados pelo poder público.
Há dois anos, a Polícia Federal descobriu um esquema de corrupção que desviou pelo menos R$ 100 milhões dos cofres do TC. A Operação Rodoleiro prendeu funcionários acusados de transformar dinheiro público em academia de luxo e um haras. Soltos, os funcionários trabalham normalmente no tribunal.
Os próprios conselheiros têm passado ligado à corrupção. Cícero Amélio, por exemplo, foi indiciado pela Polícia Federal pelo desvio de R$ 300 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa, quando era deputado estadual.
Cleide Beserra- a mesma que aprovou as contas suspeitas de Campo Alegre- é esposa do ex-presidente da Assembleia e atual prefeito de Canapi, Celso Luiz- acusado de ser um dos chefes da quadrilha.
Como conselheiros do TC, Amélio e Cleide têm foro por prerrogativa de função. Ou seja: imunidade no cargo para atuar da forma como quiserem.
Mesmo aprovando contas suspeitas de corrupção.








