O governo federal pode estar prestes a dar um passo atrás em um de seus projetos de infraestrutura mais polêmicos. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, sinalizou nesta segunda-feira (23) que existe uma “possibilidade real” de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogar ou alterar o decreto que autoriza estudos para a concessão da hidrovia do Rio Tapajós à iniciativa privada.
A declaração ocorreu pouco antes de uma reunião crucial em Brasília entre Boulos, outros ministros e lideranças indígenas.
O encontro tenta pacificar a crise gerada após manifestantes ocuparem o terminal portuário da multinacional Cargill, em Santarém (PA), na última sexta-feira (20).
Os povos originários protestam contra o decreto de agosto de 2025, argumentando que os rios não podem ser tratados apenas como “corredores de exportação” e que a medida foi imposta sem consulta prévia às comunidades.
Em entrevista à Rádio Nacional, Boulos evitou antecipar detalhes, mas demonstrou otimismo em oferecer uma “resposta adequada” às reivindicações.
“Acredito que teremos notícias boas hoje à tarde”, afirmou o ministro, reforçando sua defesa pessoal pelo atendimento à pauta indígena. Antes do aperto de mãos com as lideranças, uma reunião interna do governo deve selar a decisão final sobre o futuro da hidrovia.
O decreto em xeque prevê que empresas privadas assumam a manutenção da navegabilidade do rio, incluindo dragagens e sinalização.
Embora o Ministério de Portos e Aeroportos tenha suspendido a licitação da dragagem no último domingo (22) e reiterado que o texto trata apenas de “estudos técnicos”, a pressão do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns segue firme.
Para o movimento, a suspensão temporária não basta; o objetivo é a revogação total da medida para garantir a preservação do ecossistema e do modo de vida local.
*Com Agências








