Suposto traficante cobrou R$ 80 mil de ex-diarista de Deolane

Uma gravação obtida pelo Portal Metrópoles revela que um suposto traficante ligou para Denise Rosane Bastos, ex-diarista da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, exigindo a devolução de R$ 80 mil que teriam sumido do apartamento de Kayky Bezerra, filho de Deolane.

No áudio enviado à Justiça, o homem afirma expressamente que a influenciadora e o filho trabalham e lavam dinheiro para o grupo criminoso, ressaltando que o valor desaparecido é oriundo do crime.

O episódio consta na denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra Deolane Bezerra, que está presa desde o dia 21 de maio em Alphaville sob a acusação de integrar o núcleo financeiro de uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e de receber fundos de uma transportadora controlada pela facção.

A cobrança ilegal teve início após Denise ser acusada de ter furtado a quantia em dinheiro do quarto de Kayky, no Tatuapé, zona leste de São Paulo, acusação que a trabalhadora nega veementemente.

Na gravação enviada como prova pelas frentes de defesa, o interlocutor pressiona a diarista ao afirmar que o grupo não acionaria as autoridades policiais porque eles representam o crime e resolvem as pendências do próprio jeito.

Para intimidar a profissional, o homem citou o endereço residencial dela em Ribeirão Preto, informou possuir dados cadastrais do marido dela e avisou que comparsas estariam de prontidão na região, alertando que haveria retaliações caso o montante em notas de R$ 100 não reaparecesse.

O conflito começou em novembro de 2025, logo após Denise realizar uma faxina no apartamento do jovem.

Na queixa-crime protocolada pela diarista, ela relata ter recebido ligações insistentes de Kayky e, posteriormente, da própria Deolane Bezerra, que a ofendeu verbalmente e exigiu a devolução do dinheiro.

Naquela mesma noite, dois seguranças particulares da influenciadora teriam ido até a residência de Denise em São Paulo e realizado buscas no imóvel, no automóvel e no aparelho celular da trabalhadora, que consentiu com a revista devido à forte pressão psicológica e ao medo de sofrer agressões.

Mensagens de áudio com visualização única atribuídas à Deolane também reforçavam o tom de ameaça para que o valor fosse entregue.

A Promotoria paulista utilizou esses relatos e os áudios gravados na denúncia formal que aponta Deolane Bezerra como parceira de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e de outros líderes da cúpula do PCC.

Conforme o entendimento do Ministério Público, as ordens enviadas à faxineira indicam que a influenciadora ocultava dinheiro vivo da facção nos imóveis da própria família, utilizando empresas e contas bancárias em nome de terceiros para movimentar os ativos ilícitos.

Os promotores ressaltam que o envio de capangas e as intimidações subsequentes comprovam o método violento de atuação do grupo.

A defesa de Deolane contesta as acusações, enquanto a Justiça de São Paulo determinou que o crime de calúnia seja avaliado pelo Juizado Especial e ordenou investigações policiais paralelas sobre a denúncia de coação.

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