STF interroga militares das Forças Especiais acusados de planejar atentado contra Lula

O Supremo Tribunal Federal iniciou nesta segunda-feira (28) os interrogatórios dos integrantes do chamado Núcleo 3 da denúncia sobre a tentativa de golpe de Estado durante o governo Bolsonaro. O grupo é formado por militares das Forças Especiais do Exército — conhecidos informalmente como “kids pretos” — e um agente da Polícia Federal. Eles são acusados de planejar ações violentas contra autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, os réus estavam envolvidos na elaboração do plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. A ação teria sido planejada para ocorrer antes da posse presidencial, em dezembro de 2022.

Entre os acusados estão generais, coronéis e tenentes-coronéis do Exército, além do agente federal Wladimir Matos Soares. A denúncia aponta que o grupo era responsável por ações táticas como monitoramento, sequestro e possível execução de autoridades, com o objetivo de abolir o Estado Democrático de Direito e manter Jair Bolsonaro no poder.

Os interrogatórios marcam a reta final da fase de instrução do processo. Após essa etapa, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, deve abrir prazo para diligências complementares antes do início das alegações finais. Os réus respondem por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio público.

A investigação foi dividida em quatro núcleos. Os interrogatórios dos núcleos 1, 2 e 4 já foram concluídos. O processo mais avançado é o do Núcleo 1, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro e deve ser julgado em setembro.

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