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Sou brasileira, mulher e política

A história vai mostrando que não será apenas a política partidária que garantirá mudanças sociais.

Cada vez mais difusas, as ideologias que seriam base direcional do pensamento político do ente oficializado estão descaracterizadas diante das políticas efetivadas, seja no executivo ou legislativo. Partido político não atrai mais quem deseja mudar as coisas.

E agora?

Como lutar por uma sociedade justa e igualitária, sem participar da alquimia política?

Apenas a participação caridosa ou bem intencionada é suficiente para melhorar uma sociedade?

Não é, e a história também prova isso. Por maior que seja o alcance da obra caritativa ela não cobrirá a complexidade das nossas necessidades e desafios. Portanto, não adianta correr da raia.

Um dos comprometimentos da contemporaneidade brasileira – além da persistência do analfabetismo total por falta de garantias de direitos – é sem dúvida a aparente despolitização dos alfabetizados.

Digo aparente, porque em sociedade não existe o apolitico, e todos os perfis construídos possuem sentido politico definido, ainda que aqueles que o exibam não saibam disso.

Já nos advertia Montesquieu sobre a política, dizendo basicamente que os que “não gostavam” dela alegravam imensamente os que “gostavam”, pois quando agimos assim nos “eximimos” da responsabilidade com as questões de interesse púbico e entregamos ao bel prazer dos que levam adiante projetos pessoais de carreirismo e oportunismo, em nosso nome.

Se os partidos já não nos convencem, muito menos convincente se torna “deixar para lá”, e aguardar o resultado. Eis que temos hoje o resultado dessa escolha a pipocar em nossas mãos de analfabetos políticos. Não sabemos o que fazer quando o governo tira nossos direitos e amarra nossas conquistas ao ágio eleitoreiro. Trocamos dignidade por gratidão ao simulador de benefícios para pagar com o voto, essa arma pessimamente usada em nosso país inteiro.

A história também nos mostra que conquistas sociais pedem movimento, interesse, envolvimento, ao menos que saiamos de casa para entender o que se passa lá fora, longe dos nossos fenômenos umbilicais.

A manutenção, assim como a transformação, são forças políticas. Já percebeu qual é a sua?

Sei que sou brasileira, mulher e política. Isso me compromete com as forças que desejo ver crescer, e continuo idealizando um país onde a justiça não seja a vontade do juiz e a educação vá além do “muito obrigado”. Eu sonho com um país que rompe a miséria e promove acessos, melhora estima e reafirma identidade positiva, mas sei que sem politica no meio, estarei apenas construindo um castelo particular para guardar devaneios.

Quero mais! Quero a rua, o ar, a liberdade de pensar! Mas além disso, quero exigir políticas públicas que ao menos melhorem esse lado do palco chamado vida real, onde a agonia se debate nos corredores dos hospitais, longe das câmeras de televisão.

Política é força vital para todo tipo de fenômeno social. Sejamos conscientes de qual ponto estamos estamos firmando nossa energia, já que sabemos, que seja ativa ou passivamente, estamos todos fazendo política.

 

SOBRE O AUTOR

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