Sofrimento, inferno e “fantasmas”; veja saga corintiana rumo ao sonho

Demorou, mas aconteceu. O Corinthians levou 35 anos – desde que disputou pela primeira vez, em 1977 – para conquistar a primeira Copa Libertadores da América, mas o fez nesta quarta-feira, após 2 a 0 contra o Boca Juniors. Um sonho que parecia apenas sonho, dadas as incríveis quedas alvinegras a cada nova participação. E a tão esperada taça chegou com todos os ingredientes que fizeram do feito incontestável.

As informações são do Terra.

Do habitual sofrimento, tão festejado pela torcida corintiana, até muita tensão em partidas decisivas, gols, hostilidade e “inferno” em outras cidades e até estádios “mal-assombrados” como empecilhos, o time do Parque São Jorge quebrou tabus, derrotou gigantes e conseguiu, enfim, erguer o troféu que mais sonhava: a Libertadores. Confira, a seguir, como foi a saga alvinegra rumo ao título.

Estreia com gol nos acréscimos e triunfos expressivos
Ainda assombrado pela queda precoce contra o Tolima, na Pré-Libertadores de 2011, no que foi a única eliminação nesta etapa de um time brasileiro na história, o Corinthians estreou na competição deste ano sob pressão. Mesmo respaldado pelo título brasileiro, o time alvinegro sentiu nervosismo contra o modesto Deportivo Táchira, na Venezuela, e perdia até os 48min do segundo tempo. Foi quando Ralf empatou e embalou a equipe.

Na sequência, o Corinthians não enfrentou dificuldades para se classificar. Derrotou o Nacional-PAR (2 a 0, gols de Danilo e Jorge Henrique), empatou com o Cruz Azul-MEX (0 a 0), venceu os mexicanos na volta (1 a 0, gol de Danilo, de novo), bateu os paraguaios (3 a 1, tentos de Jorge Henrique, Emerson e Elton) e massacrou a equipe venezuelana da estreia no último jogo (6 a 0 – Danilo, Paulinho, Jorge Henrique, Emerson, Liedson e Douglas marcaram). Avançou com a segunda melhor campanha da fase de grupos.

Gás de pimenta, pressão e classificação contra Emelec
Com as falhas de Júlio César nas quartas de final do Campeonato Paulista, eis que Cássio assume a meta corintiana e dá início a uma nova idolatria no clube. E ela começou no duelo contra o Emelec, em Guayaquil, quando o novo titular fez boas defesas e salvou a equipe de uma provável derrota, principalmente após a expulsão de Jorge Henrique, que prejudicou o clube.

O duelo ficou marcado também pela catimba dos equatorianos, que reservaram algumas “surpresas” aos brasileiros, como suposto gás de pimenta atirado contra os visitantes durante o aquecimento. Mas o Corinthians deu o troco no jogo de volta, ao vencer por 3 a 0 – gols de Fábio Santos, Paulinho e Alex -, com nova atuação decisiva de Cássio – e avançou às quartas, superando o trauma das oitavas – isso aconteceu em 1991, 2003, 2006 e 2010.

Polêmica no Rio, gol espírita e milagre de Cássio
O Corinthians teve pela frente nas quartas de final o time do Vasco, atual campeão da Copa do Brasil e vice do Brasileiro. No confronto de ida, a equipe conseguiu mais uma vez segurar um empate sem gols, de novo com Cássio pegando tudo. O jogo em São Januário, aliás, ficou marcado também por polêmico gol anulado de Alecsandro, que depois foi comprovado pelas imagens de televisão estar poucos centímetros à frente dos zagueiros.

No duelo de volta, Corinthians e Vasco fizeram um dos mais nervosos duelos do torneio. Seguro atrás, o time de Tite se segurava e atacava com perigo, mas quase viu o sonho ruir em momento chave da campanha. Foi aos 18min do segundo tempo que Alessandro falhou, Diego Souza correu por todo o campo completamente sozinho e tocou na saída de Cássio, que desviou com a ponta dos dedos e mandou para escanteio. Paulinho ainda marcou, a dois minutos do fim, o heróico gol da classificação às semifinais.

Surpresa no “inferno” da Vila e eliminação de Neymar e cia
A confirmação do Santos como rival da semifinal levou à tona as fatídicas eliminações contra o Palmeiras, nas Libertadores de 1999 e 2000, a última delas também pela etapa semifinal. O time praiano, vencedor da competição continental no ano passado, era favorito à classificação e ainda tinha no elenco Neymar, considerado o maior jogador do Brasil na atualidade. Mas nem o tabu de o Corinthians jamais ter eliminado um ex-campeão foi o bastante.

Na Vila Belmiro, o time de Tite assombrou depois de Emerson dominar passe de Paulinho pela ponta esquerda e finalizar no ângulo esquerdo de Rafael, fazendo um golaço. O tento decretou vitória por 1 a 0 e foi crucial para superar o “inferno” armado pelos torcedores locais, que recepcionaram o arquirrival na cidade com bombas, ovos, foguetório e até queda de luz em contra-ataque corintiano. Na volta, o empate por 1 a 1 no Pacaembu, com gol decisivo de Danilo, foi mera formalidade.

Estádio mal-assombrado, empate heróico e título incontestável
O rival da inédita final de Libertadores alcançada pelo Corinthians seria ninguém menos que o Boca Juniors, até então detentor de seis títulos, três vices, outros 12 troféus internacionais e considerado por muitos como o maior time do continente. No duelo de ida, o clube paulista enfrentou a mística La Bombonera – que tem fama de mal-assombrada, confirmada por funcionários locais – incenciada por 50 mil torcedores que cantaram do começo ao fim.

E o novato Romarinho entrou aos 37min do segundo tempo, quando o Boca vencia por 1 a 0, recebeu passe de Emerson e deu o único toque na bola: um arremate sutil, por cobertura, que venceu o goleiro Órion e empatou. O duelo de volta, no Pacaembu, teve um primeiro tempo nervoso, quase sem chances de gol. Mas Emerson entrou em ação na segunda etapa e fez os dois gols da vitória corintiana por 2 a 0. A saga alvinegra na Libertadores foi, no fim das contas, incontestável. É o desfecho derradeiro e em grande estilo de uma maldição antes sem fim… Do jeito que o corintiano gosta.

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