Cirilo Junior
Giulander Carpes – Terra
O amigo Vagner Love havia avisado na véspera: Ronaldinho viria motivado para o Estádio do Engenhão para o esperado reencontro com o Flamengo, de quem cobra R$ 40 milhões na Justiça por atraso de salários. Mas ficou claro que o meia não conseguiu transformar motivação em uma atuação destacada. O Atlético-MG perdeu por 2 a 1, e o camisa 49 não conseguiu fazer sequer uma jogada que pudesse alterar este panorama.
“Fizemos o gol de empate e não conseguimos parar a bola na hora do segundo gol do Flamengo. São coisas do futebol, acontece”, limitou-se a dizer Ronaldinho, que entrou em campo sorrindo e saiu da mesma forma, apesar da derrota.
Não fossem as vaias da torcida do Flamengo que o perseguiam a cada toque na bola, Ronaldinho teria passado completamente despercebido do reencontro com seu ex-clube. Logo nas primeiras quatro jogadas que tentou, já sentiu o tamanho da motivação dos antigos companheiros. Era tocar na bola, que três chegavam junto para desarmá-lo.
Uma estatística que fala muito sobre a atuação do polêmico astro: seu primeiro chute efetivo – e único – a gol ocorreu apenas aos 25min do segundo tempo. O goleiro Felipe pegou com tranquilidade. Antes, aos 42min da primeira etapa, deixou um chute na barreira em cobrança de falta. Das famosas arrancadas, nem sinal.
As maiores contribuições de Ronaldinho não tiveram valor efetivo para o resultado. Depois do gol de Jô, aos 4min do segundo tempo, o meia fez uma comemoração estilo NBA com o companheiro: no ar, deram uma peitada um no outro em frente à torcida do Flamengo. Foi sua única “vantagem” sobre o irado público que o considera um traidor.
Depois, Ronaldinho reclamou acintosamente com o árbitro e o auxiliar após agressão de Réver a Gonzalez. De nada adiantou, já que o atleticano foi mesmo expulso. Reclamar, aliás, foi a “jogada” que Ronaldinho mais tentou. Na terceira vez que Wellington Silva tomou-lhe a bola de forma dura, mas leal, o meia jogou-se ao solo. O árbitro pediu para ele se levantar.
Ronaldinho teve de “engolir”. O Flamengo fez a sua melhor partida desde que o astro saiu do clube, em maio. E a torcida a maior festa. Como uma torcedora escreveu em cartaz no Engenhão: “Ronaldinho, para o Flamengo, é passado” – pelo menos dentro de campo, pois na Justiça o astro ainda promete dar mais trabalho aos advogados rubro-negros.
O volante Amaral pegou a camisa de Ronaldinho e vai guardar na memória o dia em que a sua defesa parou o ex-melhor jogador de futebol do mundo. “É amizade de um tempão. Nada demais, só troca de camisa mesmo. Ele é amigo”, disse o flamenguista.









