A atuação liberal na política avança pelas capitais do país. A “despertença” é uma regra liberal de efeito psicossocial.
A ‘limpeza’ de energia cultural conduz o povo a uma adoração do objeto sem alma produzido pela indústria.
A imponência do totem revela o tamanho de quem olha para ele, ou seja, é sempre menor.
A gestão municipal de Maceió enfeita lugares estratégicos com objetos alienantes. Não foram produzidos por artistas locais, não carregam mensagens afetivas, o único efeito que surtem é insuflar egos nas camadas participativas dos eventos instagramáveis, como se diz na contemporaneidade.
A cadeira gigante assentada na parte mais bem cuidada de Maceió não é mais novidade para quem mora no local, mas atrai turistas, ocupa espaços de referências, e tem uma família crescente, com chegada da roda gigante (que é gigante duas vezes).
Isso será negativo? A maior parte das opiniões não se voltam a analisar este fenômeno, elas são afeitas a “curtirem” a política novidadeira, mesmo quando as pessoas enfrentam locomoção sofrível para chegarem na parte “bonita” e se misturarem ao também “bonito” povo que costuma circular na rua fechada aos domingos.
Passeando por lá, não pude resistir a esta análise .
A fila para tirar a foto na cadeira não acaba, e confirma o quanto a ideia é exitosa. Mas também revela a ausência de identidade cultural da cidade, em seu bairro turístico, totalmente voltado ao sucesso de quem pode comprar.
Sem nos perdemos nos labirintos do certo e errado ou na dualidade bem/mal, refletir sobre o empresariamento da cidade através de políticas públicas esvaziadas de pertença, acende um vigoroso alerta para o sentido da política partidária na atualidade.
O povo não tem representatividade em seu chão.
Mas serve para validar o acesso aos cofres públicos e tomadas de decisões que enriquecem alguns e desprezam a maioria em situação desumana de jornadas de trabalho extenuantes, sem remuneração justa; empobrecimento populacional planejado milimetricamente.
Sucesso do trade turístico.
Distanciamento entre políticos e eleitores.
Uma cidade montada para dividir.
Uma carreira política alimentada pelo poder público, financiamento público. O sucesso da administração privada nos poderes de gerência do bem público.
Bem para quem?
A cadeira mostra o tamanho do povo. O tamanho do silêncio só não chega a ser maior do que a ausência de cidadania.
Esquecemos tudo enquanto a roda gigante vai girar bonito como a roda da fortuna que a política gerencia, ao invés de gestores públicos, teremos os CEOs nos palanques em breve tempo. Eles voltarão a precisar de uma validação que apenas o populacho condenado a trabalho poderá garantir.
O poder é rico e o voto é pobre.
