Sexta- feira negra ou Black Friday: uma criatividade americana, mas não cabe na realidade brasileira

Ueldison Alves

Desde 2010, os diversos varejos, lojistas adotaram a ideia de baixar os preços dos produtos, enquanto os consumidores com o décimo terceiro em mãos a aproveitar as promoções ofertadas. Mas existe uma ilusão que a Sexta-feira negra ou o Black Friday funciona em nossa sociedade brasileira, por dois fatores importantes: primeiro, dias de ação de graças comemorada nos Estados Unidos desde 1621, quando os povos nativos americanos fizeram um pacto com a colônia inglesa numa sexta feira, onde esse pacto tinha farturas abundantes para a comemoração dessa aliança entre americanos e anglicanos.

Essa aliança dura até 1776 quando ocorre a independência dos Estados Unidos da América.

Segundo ponto esse nome Black Friday só vem a ser consolidado em 1861, também numa sexta-feira um dia antes da comemoração da ação de graça que ocorre no sábado com abertura dos jogos americanos como Superbowl por exemplo. A virada da sexta para o sábado era comum as ruas ficarem cheias de pessoas querendo garantir seus lugares para assistirem os jogos, é importante lembrar que na metade do século 19 os estadunidenses já possuiam veículos graças ao taylorismo que imperava na época. Sendo assim os logistas aproveitavam a muvuca e ofertavam suas mercadorias ao povo, e durante as compras, muitos colocavam as contas no papel, quando prejuízos de cor vermelha, lucros cor preta. Isso começou a tornar-se rotina anual no dia da ação de graça, até mesmo o Wall Street adotou o nome Black Friday em sua compra de ouro e tentar vender a juros compostos, no qual acabou fracassando e denominando de sexta-feira negra. Aqui vai uma provocação, porque não sexta-feira branca então? Novamente uma dicotomia quando falamos em tais cores. Mas a questão é: o brasileiro não comemora ação de graça, a nossa sociedade não foi colonizada por anglicanos ingleses. Mas como sempre somos seguidores fiéis das tradições norte americana, em 2010 as primeiras lojas adotarem a Black Friday foram as virtuais e assim consequentemente as físicas, pelo simples motivo de não congestionar os servidores como ocorria desde 1861 nos Estados Unidos. Por fim, já entendemos aqui que a tradição não é nossa, que existe uma dúvida da palavra Black e por que não White e ainda precisamos questionar sobre os valores, por ser uma tradição americana, sabemos que os produtos estrangeiros são bem mais baratos do que o nosso produto fabricado nacionalmente. Os impostos são baixos em comparação ao da sociedade brasileira, então já entendemos por si só que comprar o período que for nos Estados Unidos por exemplo, será bem mais vantajoso do que comprar em nosso próprio território nacional, mas quando chegamos as vésperas da Black-friday no Brasil, os preços de muitas mercadorias aumentam em cima do valor real e abaixam para seu valor real que durante o ano fica estampado. Não acredito no esquecimento do povo aos preços, e sim, uma prática escancarada de compulsividade para as compras, gastar o que não tem para satisfazer o ego e uma profunda depressão, ou seja, pode ser ou não dia de sexta-feira negra que durante o ano todo o brasileiro vai continuar consumindo independente da data.

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