Serviço sujo da PM deixa marcas de sangue pelo chão

Nos 5 primeiros meses deste ano, a letalidade policial aumentou, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Em São Paulo, no mês de abril, foram 116 mortos por policiais. A última vez que a PM matou tanto em 1 mês foi em maio de 2006, quando os militares entraram em confronto com o PCC: 137 mortos.

Só que naquele ano, não havia uma pandemia, não existiam medidas sanitárias obrigando as pessoas a se manterem distantes umas das outras, um isolamento social que diminuiu a quantidade de gente nas ruas, menos  trânsito, mais teletrabalho.

Pelos números levantados pelo Brasil de Fato:

De acordo com a Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, nos meses de abril e maio, foram 187 mortes decorrentes de ações policiais: 116 no primeiro mês e 71 no segundo. No mês anterior, em março, foram registrados 75 óbitos. Em relação ao ano anterior, foram 76 assassinatos em abril e 67 em maio: 143 mortes, 44 a menos do que neste ano.

Por que a PM matou tanto quanto em 2006? E em uma pandemia? Com as pessoas mais isoladas em casa?

“A verdade é que a conta não fecha. Essa é a grande questão quando a gente olha para esses números. Eu diria que levanta mais perguntas do que respostas, porque é muito difícil olhar para esses números e encontrar alguma justificativa para o crescimento da letalidade policial nesse período”, afirma Samira Bueno, diretora executiva do FBSP.

“A gente percebe que mesmo com o isolamento social, as operações policiais não pararam. Se você olhar para abril, que é um dos meses que estávamos em isolamento social rígido, as operações policiais continuaram a ser realizadas, tanto aqui [Ceará] quanto no Rio de Janeiro, e elas são realizadas de maneira bem violenta”, afirma Régis Pereira, integrante do FPSP-CE.

É verdade que estamos em uma pandemia. Com mais isolamento social. Porém, a violência policial não arrefeceu.

Em 1 de julho, a polícia entrou na casa de Mizael Fernandes da Silva, de 13 anos. Matou-o dentro de casa. O crime aconteceu em Chorozinho, interior cearense.

A polícia mexeu na cena do crime para a perícia não atestar a brutalidade policial.

“Mesmo antes da pandemia, a ação da polícia sempre foi violenta dentro das comunidades. Com a pandemia, viu-se uma intensificação dessa violência nessas comunidades periféricas, porque o modus operandi da polícia do Estado é violento.”

Coincidência das coincidências: Jair Bolsonaro elegeu-se fazendo o símbolo da arminha com as mãos.

Outra coincidência: os policiais militares do Ceará, ligados a grupos bolsonaristas, organizaram um motim que foi dissolvido dias depois do senador Cid Gomes receber um tiro de policiais, quando o senador tentou invadir um quartel com uma retroescavadeira.

Mais coincidência? A PM paulista, incentivada pelo bolsonarismo que embalou a campanha de João Dória ao Governo, segue matando mais e mais pobres: a cada 6 horas, um assassinato, com bala disparada pelo agente estatal.

O baile da morte no Palácio do Planalto tem sons e vozes decodificados nos quarteis. E para PMs com gosto de sangue na boca, chegou a hora da licença para matar. Como os jagunços autorizados por seus pagadores.

Os serviço sujo deixa marcas no chão.

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