Observar a esquerda raiz se contorcendo para continuar conservando suas (aparentemente) consumadas virtudes em um cenário desarrumado pela audácia da extrema direita, é uma atitude madura que possibilita necessários aprendizados sobre a dinâmica histórico/social.
Em questão (outra vez) a liberdade de expressão.
A instrumentalizada voracidade do projeto político antidemocrático aprendeu a mapear os brios dos esquerdistas. Conhece os calcanhares de Aquiles, e investe com armamento ideológico sob a suposta inocência de uma verbalização ácida, apenas por brincadeira ou explosão emocional, semeando ódio aos borbotões na pretensão da impunidade.
Sob a cascata ácida desse ódio inúmeros ataques verbais e/ou letais se consumam diariamente no mundo, e de modo preciso, em nosso país, Brasil contaminado pelo bolsonarismo.
Guardiões de uma ilusão de direitos amplos mesmo sob os riscos que pesam sobre as vítimas, angariam apoio para a manutenção da narrativa que serviu de base para o pensamento em contextos distintos do de agora, onde tudo flui do verbo para o corpo do outro, pisando não somente na identidade, mas na cabeça ensanguentada, na exibição truculenta do corpo perfurado e ato de micção sobre túmulo de mulher assassinada.
Para um bem intencionado defensor de liberdades irrestritas, pipocam na web que não acessamos centenas de potenciais destruidores de vidas através do manuseio constante do discurso de ódio.
Mulheres, gays, trans, negros, ativistas de direitos humanos e esquerdistas em geral, na mira do discurso que promove a prática misógina, homofóbica, racista e assassina.
Quem vai conseguir controlar essa onda, sem filtrar a carga de letalidade de suas expressões?
Como potencial vítima, não serei aquela que defende o direito do outro me ferir e matar. Não se trata de compromisso moral. É uma assertiva de luta pela segurança dos vulneráveis em uma sociedade que projeta a virulência da força como ufanismo divino, para ser aceito pela sociedade conservadora.
Quer sorrir de alguém? Se olha no espelho.