Diário de Pernambuco
A partir desta quarte-feira, os profissionais de saúde que se depararem com casos de bebês com microcefalia em Pernambuco terão novas regras para lidar com as crianças e suas mães. Um protocolo clínico foi lançado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) nesta terça. O documento tem dois objetivos principais: estabelecer critérios para detecção de microcefalia em recém-nascidos do estado; e definir fluxo de atendimento, diagnóstico, vigilância e acompanhamento dos recém-nascidos com a anomalia. Somente entre os dias 27 de outubro e 9 de novembro foram notificados 141 casos (relativos ao ano inteiro), quando a média nos últimos cinco anos era de 9 casos em 12 meses.
As normas foram construídas nas últimas duas semanas por vários especialistas da área, como pediatras, infectologistas, neurologistas, agentes da vigilância epidemiológica e profissionais de laboratório. Microcefalia é uma anomalia congênita caracterizada pelo tamanho menor do crânio em recém-nascidos ou fetos.
O protocolo surgiu da necessidade de padronizar o atendimento aos bebês com microcefalia em Pernambuco, o que pode contribuir para a descoberta da causa do aumento expressivo de casos no estado este ano.
As notificações foram provenientes de 24 estabelecimentos de saúde, entre elas o Hospital Barão de Lucena, Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e Hospital Agamenon Magalhães. O Ministério da Saúde, a Organização Panamericana de Saúde e a SES investigam as ocorrências, oriundas de 42 municípios de diferentes regiões de Pernambuco.
A maior concentração de suspeitos está distribuída nos municípios do Recife (16,9%), Jaboatão dos Guararapes (5,6%) e Olinda (5,6%), na Região Metropolitana. De acordo com a secretária executiva de Vigilância em Saúde da pasta, Luciana Albuquerque, esse é um trabalho científico de campo que pode orientar a medicina futuramente. As mães e as crianças serão todas reavaliadas. O protocolo lançado pela SES será enviado para toda a rede de saúde do estado, inclusive a particular. As secretarias municipais receberão o documento.
“Esse protocolo vai nortear os profissionais no manejo desses casos a partir do nascimento do bebê. É a orientação geral, tanto clínica quanto epidemiológica”, destacou Luciana. O protocolo determina que ao diagnosticar o bebê com microcefalia, o profissional deve notificar de forma imediata e exclusiva na plataforma do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde de Pernambuco (cievspe.com).
Segundo Luciana, na próxima semana um novo capítulo deve ser incluído no texto. Serão as normas orientando os profissionais a partir das gestantes. Ela explicou que não há ainda como evitar casos de microcefalia no estado. “A gente não conhece a causa ainda. Sabemos que usualmente pode ser motivado por algumas infecções, como rubéola, citomegalovírus e toxiplasmose.” Crianças com microcefalia geralmente pecisam de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.








