Ícone do site Repórter Nordeste

Santana vê ‘soma negativa’ em Lula na Sapucaí; vídeo

A poucos dias do desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, o clima nos bastidores do Palácio do Planalto oscila entre o entusiasmo do samba e o cálculo frio da estratégia política. O motivo da tensão tem nome e sobrenome: João Santana.

O ex-marqueteiro, conhecido por conduzir campanhas vitoriosas do PT, acendeu o sinal amarelo ao avaliar que a associação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama, Janja, ao enredo da escola de Niterói configura um cenário de “alto risco”.

Em análise publicada em suas redes sociais, Santana recorreu à Teoria dos Jogos para sustentar que a estratégia pode resultar em uma “soma negativa”, na qual todos os envolvidos saem perdendo.

VEJA VÍDEO:

Para o estrategista, o perigo não reside necessariamente em uma reação negativa do público presente no Sambódromo, mas no impacto da imagem nos redutos onde o governo enfrenta maior resistência.

“O maior risco não são as vaias na apoteose, mas sim nos bolsões do Sul e do Sudeste, onde Lula precisa desesperadamente de votos”, alertou Santana, citando especificamente o eleitorado evangélico e o interior de São Paulo.

O enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” celebra a trajetória do presidente e faz menção direta a Dona Lindu, sua mãe.

Embora a homenagem tenha sido recebida com euforia por aliados,  a ponto de Lula ter apresentado o samba-enredo a deputados durante um jantar na Granja do Torto, Santana argumenta que o Carnaval é uma ferramenta mais eficaz para a “demolição” do que para a construção de imagem política.

A participação de Janja em um carro alegórico e a possível presença de Lula no desfile de domingo (15) transformariam o que poderia ser uma “homenagem espontânea” em um ato institucional de alto custo simbólico.

LEIA MAIS+ “Cartilha” do Planalto: O guia de conduta de Lula para o Carnaval

Divisão no PT e ofensiva da oposição

Dentro do Partido dos Trabalhadores, a exposição dividiu opiniões. Enquanto uma ala da legenda minimiza os riscos, acreditando que o foco do público estará no espetáculo visual, outro grupo teme o desgaste de uma exposição de mais de uma hora diante de uma audiência heterogênea.

Fora do partido, a oposição já prepara o terreno para questionar a homenagem, levantando suspeitas de promoção indevida de autoridades e possível configuração de campanha antecipada, dado que escolas do Grupo Especial recebem subvenções públicas.

O cenário se torna ainda mais complexo com a agenda extensa do presidente, que inclui passagens por Salvador e Recife. Para Santana, essa onipresença carnavalesca retira o caráter orgânico da celebração e coloca o governo em uma vitrine perigosa.

Em um momento em que o Planalto busca recompor o apoio em setores conservadores, o brilho da Sapucaí pode, ironicamente, gerar mais sombras do que luzes para a imagem presidencial.

Sair da versão mobile