BLOG

Salvamento da Vida

O tamanho dos nossos valores estão refletidos na cotidianidade das nossas sociedades. O que somos capazes de valorizar, é aquilo que temos em abundância; enquanto recusamos, outras tantas formas, de organizar e viver culturalmente…

Modelos antigos, opressores, se nos apresentam constantemente como os ideais.

A violência da ordem ainda nos causa uma sensação de segurança, que não explicamos de outra maneira, senão, ressuscitando os guerreiros vingadores de outrora, que permanecem em nossos referenciais internos.

Nós mesmos, os ansiosos por justiça, recusamos ser justos!

Quando nos negamos a assumir nossa pertença social e histórica, na partilha de bens de acesso, na igualdade de direitos, na exigência de seriedade política dos gestores, somos os responsáveis pelo atraso social do nosso tempo.

Essa estranha necessidade de sentir-se mais digno, mais importante, detentores de mais direitos, a nos distinguir…é sintoma da nossa pobreza moral, avançando história a dentro, numa noite sem fim, onde a aurora só chegará com a renovação dos paradigmas.

Por mais camufladas que estejam, sob os rigores da opressão, as necessidades humanas haverão de sobrepor seu ímpeto, e a violência será cada vez mais o recurso utilizado para interpretar as injustiças estruturais que avalizamos.

Nossos choro tardio não resgatará o ontem ido. A ação exige abrir mão agora, dessa imagem asséptica da falsa postura apolítica.

Somos todos políticos!

Não há como negar a força da política macro e local, nas determinações que alcançam as nossas vidas.

O que nos falta passa pela identidade societária embaçada, pela tábua antiga que sustenta nossos valores; mas certamente, a dor comum nos agregará, quando a reconhecermos como nossa.

Nós que gostamos de filosofia, de gestos altruístas e exemplos franciscanos, não somos ainda capazes de sequer imaginarmos o mundo como um campo aberto à paz coletiva?

Desapego à ilusão do mando, será para nós, educados nas cartilhas arcaicas das Alagoas, a primeira e mais importante lição, neste momento.

Dominar pessoas e situações, não é importante. Mostrar que pode, faz e desfaz, não é importante. Pois o que vale nesse momento é importar-se com o salvamento da vida, que pode ser a minha, a sua ou daqueles que estão na esquina.

SOBRE O AUTOR

..