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Sadomasoquismo, fé e calmaria

Alguns brasileiros acreditam que a pandemia do coronavírus é uma espécie de benção sadomasoquista em benefício da humanidade, e como este perfil  de gente costuma apresentar fortes tendências ao bolsonarismo, também pode figurar entre os reprodutores de misticismos vacinais e outras falácias.

Sobreviver a este tempo será uma prova de humanidade melhorada? Chego a tremer diante dessa arrogante perspectiva!

Quando temos uma oportunidade cruel de percebermos as falhas dos sistemas sociais humanos acirramos a insensibilidade e levianamente, enquanto espécie, seguimos o deus mercado com suas luzes consumistas que induzem à aglomerações e esquecimentos das consequências.

A vulnerabilidade está dormindo a esmo, em qualquer canto desse país, sem acreditar no vírus, sem dinheiro para comprar pão, sem trabalho e sem nome: é miséria, sofrimento e morte!

A classe média faz campanha por ceia de Natal porque precisa colocar o shopping center na manjedoura e embriagar a insensatez para não lembrar que ainda não enriqueceu e os juros do cartão de crédito aumentam a cada instante um pouco mais.

Ricos do Brasil não morrem jamais! Criaram a própria eternidade em suas bolhas de aglomerações glamourosas e invejadas, e espalham pelo país abomináveis aplausos ao presidente que fizeram ser eleito. Desde a indústria de fármacos àquela dos acessórios funerários possuem razões para celebrar! A dor e a morte geram muito lucro!

Deus e sua face chorosa de gente pobre e sem mídia passa a costa da mão no olho e finge tirar um cisco.

O único eco respeitado é o que vem das redes sociais e este é escolhido pelo algoritmo.

O silêncio de Deus lamenta o destino do Brasil colonizado por religiões, mentiras e moralistas corruptos.

Seria o fim se não existisse o amanhã, mas é da natureza de Deus acalmar as tempestades e contemplar de longe os barcos quebrados, navios afundados, ilusões boiando nas águas plácidas da calmaria.

Calma. Tenta se agarrar em algo que flutue.

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