O encontro de Rui Palmeira com os servidores públicos nesta sexta-feira (12)- que terminou na retirada dos dois projetos de lei que mexem nos salários do funcionalismo, em tramitação na Câmara, para re-análise- poderia ter sido perfeito e uma demonstração pública de civilidade democrática e maturidade política.
Mas, uma entrevista- reveladora- ajudou a mostrar que Rui Palmeira permanece sendo o prefeito que Maceió não possui, mesmo faltando um ano e oito meses para terminar seu mandato.
Na quinta-feira, Rui foi entrevistado por Warner Oliveira, na rádio Gazeta. Tratou que os gastos da Prefeitura com a folha de pessoal chegam a R$ 1 bilhão. E pôs “apenas” R$ 50 milhões em infraestrutura da cidade. Chamou a folha do funcionalismo de “sangria”. Foi mais longe. Maceió é a 3ª capital que mais gasta com funcionários efetivos, segundo o prefeito. E para achincalhar todas as categorias profissionais, cravou uma lástima:
“A cidade não dá conta de pagar tanto benefício, tanto privilégio ao servidor da Prefeitura de Maceió”.
O prefeito tem razão ao dizer que o professor, a merendeira, o assistente de sala de aula, o médico, o assistente social são servidores privilegiados.
Porque Rui nem é servidor público.
Ele é um rei.
Sem discutir com ninguém, ele construiu dois projetos para a retirada de parte dos salários dos servidores e queria, como resposta, o silêncio. Como os súditos diante de sua majestade.
Os vereadores é quem foram vítimas: viram a rua Sá e Albuquerque, em Jaraguá, se transformar em uma praça de guerra e servidores, enfurecidos, invadindo o prédio e quebrando o prédio da Câmara, obrigando os edis a retirarem os projetos da pauta legislativa.
Rui poderia ser um gestor moderno. É, tão somente, um seguidor da cartilha do PSDB, que satanizou o servidor, não mexe nos verdadeiros privilegiados do funcionalismo e trata a máquina pública como uma mistura de caridade piedosa abaixo de uma guilhotina, cortando pedaços de serviços para a população, substituindo-os pela terceirização da mão de obra (e da humanidade). Ou simplesmente deixando de existir.
No próximo dia 22, Rui terá novo encontro com os servidores. Que a secretária de Comunicação, Eliane Aquino, convença o prefeito – e ele a escute- a ter um discurso mais conciliador e menos incendiário. A era Bolsonaro ensina os limites das palavras, dos desastres e da bobagem.
Que o prefeito recupere o entusiasmo diplomático.
Torcamos.





