Rui Palmeira e Ronaldo Lessa polarizam disputa em Maceió

O ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) e o deputado federal Rui Palmeira (PSDB) mostraram que os dois é quem vão polarizar a disputa à Prefeitura de Maceió. Será a guerra entre o Palácio República dos Palmares e os usineiros- pró-Rui- contra Lessa, que começou em 2006- após a vitória de Teotonio Vilela Filho ao Governo- prosseguiu em 2008, 2010 e agora, em 2012.

Os canhões vão ficando com mais munição. Lessa lado a lado com os senadores Fernando Collor (PTB) e Renan Calheiros (PMDB); Rui apostando no contato com lideranças comunitárias, na tentativa de popularizar o próprio nome.

E os tucanos não economizam na hora de neutralizar os lessistas, com ampla popularidade nas classes C, D e E. Nas comparações, mostram que Rui é ficha limpa- não corre risco de inelegibilidade; Lessa não é ligado a uma família tradicional de políticos, ao contrário de Rui (filho do ex-governador e ex-ministro do Tribunal de Contas da União, Guilherme Palmeira); Rui é jovem- pouco mais de 30 anos- ao contrário de Lessa- aos 60.

“Não vamos escolher velhos políticos com velhos discursos, mas novos políticos com novas atitudes”, disse Rui, na quarta-feira, no Canaã, na segunda caminhada pelas ruas de um bairro- a primeira foi no Farol, na rua Cláudio Lívio, onde Rui cresceu.

“O velho é que é bom porque tem o que mostrar: quatro anos na Prefeitura, oito anos no Governo. Ele tem o que para mostrar? Nada. Ele vai mostrar é o Teotonio: a insegurança que Alagoas vive hoje, escolas fechadas, o PSDB”, revidou Lessa., que lançou sua campanha de rua com 14 kombis no mesmo dia de Rui Palmeira. O início da campanha dele foi no estacionamento de Jaraguá, em direção à Grota do Cigano, reduto do prefeito Cícero Almeida (PP)- que apoia Lessa.

Ter o que mostrar

É exatamente o “ter o que mostrar” que acompanha a estrutura de campanha de Rui Palmeira. Primeiro, os nomes e o locutor são os mesmos que ajudaram na reeleição de Teotonio Vilela Filho em 2010, uma discreta associação do chefe do Executivo com o nome da mais nova liderança política em Alagoas.

Segundo: para evitar a associação do seu nome com os usineiros, campanha simples, menos carros e mais bandeiras, juntando muita gente; terceiro, o uso e o abuso do senador Benedito de Lira (PP), o homem da maritaca e da dancinha que virou hit e ajudou na eleição dele mesmo, em 2010, ao Senado; quarto, os discursos de Rui contra os deputados taturanas, em 2007, na Assembleia Legislativa e a imagem da honestidade, elogiada pela imprensa nacional, na Câmara dos Deputados.

O que não aparece? que Rui é vice-líder do PSDB- partido que faz ferrenha oposição à presidente Dilma Rousseff; e o próprio governador, com uma rejeição em Maceió que aos poucos, é revertida pelo Palácio República dos Palmares.

O vice de Rui, o vereador Marcelo Palmeira (PP), também não é mostrado na campanha. No Canaã, na última quarta-feira, o anúncio geral de Rui eclipsou Marcelo, tratado como desconhecido pela população do bairro.

“Ronaldinho paz e amor”

Não é um lema novo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou como bordão em seu primeiro mandato. E o ex-governador Ronaldo Lessa copiou e colou o novo emblema. O Lessa furioso, que tratava os secretários aos berros, batendo boca com sindicalistas e atacando juizes e números federais sobre a pobreza em Alagoas, ao que Lessa quer mostrar, viraram artigo de museu.

“Nada de polêmica. Ronaldinho paz e amor”, resumiu.

O que Lessa mostra na campanha? A insistente pobreza na captação de recursos- a briga do milhão contra o tostão, como diz; é acompanhado pelo prefeito Cícero Almeida (PP), popular nas classes C, D e E.

O que Lessa esconde? Collor e Renan. Questionado se os dois iriam fazer parte do dia a dia da campanha, o ex-governador evitou dizer um “não”, mas também não dobrou a língua para um “sim”. “Participação é uma questão pessoal. Não vou cobrar”.

Na primeira carreata, que também começou na quarta-feira, Collor e Renan não apareceram. Colocaram a estrutura do PTB e PMDB. Mas, Cícero Almeida fez questão de rabiscar, com caneta preta, a lista dos locais- todos numerados- a serem visitados por Lessa.

Diferença de tratamento: Lessa cita o vice, o ex-secretário de Infraestrutura, Mosart Amaral, tratado como um “homem técnico”, um “gerentão” de obras em Maceió.

Problemas

A julgar pela polarização da campanha- já esperada- o único nome da esquerda, Alexandre Fleming (PSOL) tenta destoar do discurso dos dois candidatos.

“De uma maneira geral existe uma lamentável tendência a cobrirem apenas 2 candidaturas”, disse o candidato, pelo twitter, na quarta-feira, 18.

“Lamentável a imprensa se pautar somente pela falsa polarização eleitoral: “azul” x “vermelho”. São 8 candidatos, 8 projetos distintos”, voltou a reclamar.

Fleming leva ao palaque o prestígio da vereadora Heloísa Helena (PSOL). Mas, ainda não mostrou o arsenal de acusações- contra Lessa e Rui- que pode ajudar a capitanear votos na disputa pela chefia do Executivo.

Outra que nada contra a maré é Nadja Baía (PPS), com uma estrutura de campanha mais organizada e bem mais simples e com contatos diários com lideranças comunitárias e integrantes da sociedade civil organizada.

Quem não começou a campanha foi o deputado Jeferson Morais (DEM), a deputada federal Rosinha da Adefal (PT do B), Sérgio Cabral (PPL) e o presidente da Câmara de Vereadores, Galba Novais (PRB).

Não se sabe o porquê do não-começo da campanha de rua de Morais; Rosinha da Adefal é tratada, por Rui e Lessa, como alternativa de composição ao segundo turno e não deve ter campanha de rua; o mistério sobre Sérgio Cabral: ele é o laranja da disputa?; Galba Novais é candidato a prefeito, mas nem tanto, e deve compor com Lessa- se o ex-governador passar ao segundo turno da disputa.

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