O deputado federal Rui Falcão (PT-SP), presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, afirmou nesta quinta-feira (26) que seu voto favorável à derrubada do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), assinado pelo governo Lula, foi resultado de um erro de digitação.
A declaração foi feita após o parlamentar ser listado entre os 393 deputados que votaram contra o decreto presidencial — uma das principais medidas fiscais do governo para elevar a arrecadação em 2025.
“Teclei errado”, disse Falcão em ofício encaminhado à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Segundo ele, a falha ocorreu devido a problemas técnicos no momento da votação, que aconteceu de forma remota. O deputado solicitou formalmente que seu voto fosse retificado para acompanhar a posição da base governista, ou seja, a favor da manutenção do decreto.
Erro expõe fragilidade na articulação
Embora a retificação possa ser registrada nos anais da Casa, ela não altera o resultado da votação, considerada uma derrota significativa para o governo. A derrubada do decreto do IOF desagrada à equipe econômica e compromete parte do planejamento fiscal, que previa uma arrecadação extra de até R$ 61 bilhões até 2026.
O erro de Rui Falcão causou constrangimento interno no PT, especialmente por envolver o presidente nacional da sigla, que tem papel central na articulação política com o Congresso.
Votação simbólica no Senado confirmou derrota
O projeto de decreto legislativo foi aprovado com ampla maioria na Câmara e depois confirmado pelo Senado em votação simbólica, encerrando a validade do aumento do IOF. Com a revogação, as alíquotas voltam aos níveis anteriores a 22 de maio.
Enquanto o governo avalia acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão, o episódio do voto errado de Rui Falcão se soma ao clima de tensão entre o Executivo e o Congresso, e ao desafio de recompor a articulação política às vésperas de novas votações econômicas.








