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RS: Família espera liberação de corpo há mais de um mês

Zero Hora

Uma família de Canoas vive o drama de não conseguir enterrar o filho morto em homicídio há mais de um mês. O corpo de Wilian Teixeira Pinheiro está retido pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) por conta de um defeito em uma máquina sequenciadora, a única do Estado, que faz a identificação por DNA das vítimas.

— A gente está em desespero. E creio que existem outras famílias passando por isso também — diz a secretária Cristiane Reis, 39 anos, prima de Wilian.

O processo de identificação é requisito para a liberação de qualquer corpo por parte do IGP. No caso de Wilian, as digitais, por exemplo, não podem ser coletadas: ele foi vítima de tiros e também carbonizado.

A família fez o reconhecimento em 6 de março, dois dias após sua morte. A partir disso, amostras de DNA foram coletadas do pai e do morto (que segue em uma câmara fria do Departamento Médico Legal em Canoas) para a realização do exame. Entretanto, os problemas começaram a surgir.

Técnicos do IGP informaram aos familiares que o equipamento não estava em funcionamento por conta de um defeito em uma peça e que a liberação do corpo de Wilian não tinha previsão para ocorrer. Como a máquina sequenciadora é a única no Estado, todo corpo que necessite passar pelo procedimento fica retido pelo IGP, o que causa uma situação constrangedora às famílias.

— Já faz um mês e uma semana que a gente espera para consumar esse fato e enterrar ele — complementa Cristiane.

O procedimento ocorre no Departamento de Perícias Laboratoriais do IGP, em Porto Alegre. Uma fonte com trânsito junto aos gestores do laboratório diz que engenheiros foram mobilizados há três semanas para buscar uma solução para que o equipamento volte a operar.

Somente a compra de uma nova peça custaria R$ 90 mil, fora os custos de mão de obra. Mas o conserto ainda não tem previsão para ocorrer. Em contato com Zero Hora, a assessoria do instituto prometeu divulgar uma manifestação sobre a questão nesta quinta-feira.

Willian trabalhava como soldador. Entretanto, já há algum tempo não exercia a profissão. Com 27 anos, ele morava com a irmã em Canoas. Seu corpo foi encontrado carbonizado no bairro Olaria. A polícia ainda investiga as circunstâncias em que sua morte ocorreu.

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