Rosa Weber condena Dirceu por corrupção ativa

Valor

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, votou nesta quinta-feira pela condenação de oito de dez réus do processo do mensalão por corrupção ativa, incluindo o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino.

Rosa lembrou que parte da “propina” que irrigou o valerioduto teve como origem recursos públicos, e disse que pouco importa se o destino do dinheiro foi para pagamento de despesas pessoais ou financiamento de campanhas políticas. Disse que há “prova acima do razoável” de que Delúbio não foi o único responsável pelo esquema.

De acordo com ela, Genoino participou de reuniões para a formação da base aliada ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em relação a Dirceu, complementou, há provas nos autos de suas relações com o publicitário Marcos Valério, sua responsabilidade na missão em que Valério foi a Portugal obter recursos junto à Portugal Telecom e de favores recebidos por sua ex-mulher do BMG e do grupo de Valério.

“Não é possível acreditar que Delúbio sozinho teria comprometido o Partido dos Trabalhadores com dívida de R$ 55 milhões e passado metade disso a partidos da base aliada”, afirmou a ministra.

“O conjunto probatório aponta no sentido de conluio para a corrupção de deputados federais”, afirmou a ministra, acrescentando que houve promiscuidade e uma “elaboração sofisticada” do esquema. “Foi criado um esquema para pagar deputados federais em troca de seus votos.”

Segundo ela, as acusações do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foram todas reafirmadas em juízo. E há “indícios que gritam nos autos”, os quais permitem a montagem de um quebra-cabeça. “Corruptos ou corrompidos demandam corruptores”, frisou. “Não há corrupto sem corruptor.”

Do núcleo publicitário, a ministra pediu a condenação de Marcos Valério, seus sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, da ex-diretora financeira da SMP&B Simone Vasconcellos e Rogério Tolentino, advogado e sócio de Valério.

Por outro lado, Rosa acompanhou o relator, Joaquim Barbosa, e votou pela absolvição da ex-gerente financeira da SMP&B Geiza Dias e do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto. “O único elemento que teoricamente prejudicaria Anderson Adauto é a palavra do coacusado Romeu Queiroz”, anotou.

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