por Ana Luiza Marcolino
O quintal da minha casa passou por reforma há dois meses e durante o serviço, resolvi entrar num depósito, onde guardamos sobras de materiais hidráulicos, elétricos, entre outros.
E a surpresa boa de abrir aquela porta foi encontrar meus antigos vinis de cantores como Alceu, Geraldo, Elba, Zé Ramalho e tantos mais.
Enquanto ia retirando a poeira daquelas preciosidades, também ia acessando a minha memória musical, cantarolando ‘Espelho Cristalino’, ‘Dia Branco’, ‘Avôhai, ‘Bodocongó’…
Sou do tempo que a música era a combinação perfeita de ritmos, letras e melodias que entravam em nossos sentidos, nos fazendo perceber o mundo a partir da primeira nota musical.
Quem não lembra dos programas de rádio que no final de tarde tocavam os flashbacks inesquecíveis dos anos 60, 70… Ou dos programas de tv que, aos sábados ou domingos, apresentavam o sucesso musical do momento ou do passado e a gente adorava assisti-los?
Sou do tempo que a melodia do pavão misterioso vinha de um pássaro formoso, que o maluco beleza era um grande poeta da metamorfose ambulante, que Tiro ao Álvaro era flechada de cupido e Rotina era uma poesia.
Talvez, você não lembre, mas é difícil esquecer os festivais universitários de música, a saudosa ‘Volver a los 17’ quando ecoava no movimento estudantil, na voz de Sosa e o amigo guardado do lado esquerdo do peito, tocada no “Chapéu de Couro”, hein Milton?
Não sei se você lembra, mas eu não esqueço nunca que ser romântico não era ser brega, que a gente cantava sem querer de tanto ouvir, até furar o vinil na vitrola de tanto voltar à música preferida, às vezes, no terceiro ou quarto copo, esqueceu Kleiton e Kledir?
Sou do tempo que sem pressa e sem internet, a gente escrevia na memória da alma as trilhas sonoras dos filmes, porque era de praxe levar lencinho para chorar no cinema e decorar as músicas, ainda que fossem em outro idioma.
Talvez, você não lembre desses filmes: ‘Love Story’ e ‘Dio come ti amo’, mas vai adorar as músicas que compõem suas trilhas sonoras, elas me prendem, igualmente aos seus enredos e ainda me emociono ao assistí-los, como se fosse a primeira vez, lá no início de minha adolescência.
Tenho a leve impressão que essa forma universal de conexão com a música, em seus diferentes ritmos e melodias, continua nos levando em viagens de diferentes épocas para os mesmos lugares das nossas emoções, às vezes felizes, às vezes tristes, porque a música comunica o nosso bem estar físico, mental e espiritual, em todos os tempos.
Adivinha quem estou ouvindo agora? A saudosa e maravilhosa Elis com a sua canção de 1979, ‘O bêbado e a equilibrista’, que agora canta aos meus ouvidos sobre Carlitos, a lua e as noites do Brasil.
Que nostalgia!!!!
*Do Livro ‘Anas em Crônicas e Poesias’, das autoras Ana Luiza Marcolino e Ana Claudia Laurindo, lançado na Bienal Internacional do Livro de Alagoas, em novembro de 2025.








