O corpo fala, guarda memórias e expressa histórias.
O corpo da mulher é uma denúncia constante de domínio imposto, e luta incansável pela retomada de si, no alargar da consciência sobre mundos e valores, na circunferência que interliga poder econômico e patriarcado.
O sorriso da mulher é uma epopeia em si.
Uma mulher sorrindo mostra permissões ou atrevimentos, a depender do tamanho que abarca. O riso tímido, discreto, pertence aos padrões mais rigorosos, nos quais a mulher se transforma em bruma, sem vitalidade suficiente para explodir. Recomendado a elites.
O gozo estridente do riso pertence às malditas, e o julgamento social não relaxa.
Contudo, a mulher consciente sabe sorrir muito melhor! Não reforça nenhum estereótipo sem saber o que faz, porque faz e como faz. É subversivo mas pleno.
A libido é barulhenta, vem de dentro para fora e pulsa as próprias validações.
A mulher que sorri enfrenta o patriarcado, mas aquelas que sorriem das algemas, das coleiras e dos padrões como política pensada e anexada ao existir, revolucionam territórios.
Nós sabemos sobre os nãos que recebemos e as dificuldades intencionalmente postas em nossos caminhos, com intuito de dificultar a realização de projetos. Mas também aprendemos a enfrentar essa energia arcaica renovando a nossa perspectiva e ativando nossas perspicácias.
Somos mulheres vingativas. E isso não é ruim.
Queremos fazer justiça aos nossos medos e substituir dor e silenciamento por alegrias e gozos. Precisamos sorrir.
Precisamos deixar escorrer o azedume que aplicaram em nossas veias. Quando nos chamaram de menores, feias, incapazes, indesejadas, nos tomaram um amor único. Nos manipularam para amar agressores, abusadores e sistemas opressores como um todo.
A vingança da mulher que sorri costuma ser incrível!
Vira arte, competência, cura, libertação.
Não doutrine mais a mulher que interpretou os códigos. Ela não vai desistir de sorrir, porque aprendeu o quanto o fruto do bem e do mal é saboroso.
