O município alagoano Matriz de Camaragibe conta com um luxo que poucas outras cidades podem apresentar publicamente, falamos aqui da possibilidade de apreciar retretas de maneira comunitária, no coreto da principal praça da cidade.
Mas de acordo com uma das primeiras integrantes da Banda Filarmônica Bom Jesus, Joelma Peres, o legado vem de longe, de munícipes apaixonados por cultura e música considerada de qualidade.
7 de janeiro de 1952 é a data na qual consta o nascimento de uma escola de música em Matriz a partir da iniciativa do também farmacêutico Zair Arruda, que durante toda a sua vida foi destacado comerciante do lugar e também maçom.
No início qualquer cidadão poderia iniciar as aulas de música, independente da idade. Este é o nascedouro da Filarmônica, que já tocava em eventos cívicos e procissão do Bom Jesus, a principal festa religiosa da cidade.
A banda era mantida pelos próprios munícipes, mas ao longo do tempo enfrentou dificuldades financeiras para continuar adquirindo e mantendo instrumentos. O pioneiro pedia ajuda para custear a banda, mas em algumas circunstâncias precisou fechar as portas.
Entre aberturas e fechamentos, a Filarmônica seguiu de 1952 a 1981, quando por iniciativa do então pároco salesiano Valerio Breda, italiano que passou uma década na cidade, em parceria com o maestro José Rubens, que saiu do município de Marechal Deodoro com sua família, para reativar a filarmônica.
O recomeço contou com uma organização estrutural de escola de música, mas com outra proposta, como exemplo, determinação da idade certa para ingressar, que beneficiou boa parte da infância camaragibana, de 8 a 12 ou 13 anos.
A proposta já partia da intencionalidade de profissionalizar músicos, como de fato aconteceu e ainda acontece.
O reinício aconteceu na Rua do Pau D’arco, em uma casa comum, até o ano de 1992, quando na construção do Centro Juvenil Dom Bosco foi inclusa uma sede para comportar as necessidades da Filarmônica, que somente crescia em número de alunos e qualidade formadora.
A manutenção da Banda Filarmônica Bom Jesus ainda é feita através de iniciativas de boa vontade, apesar do enorme peso cultural que possui para a história da cidade e inúmeras famílias de músicos profissionais espalhados pelo país, a partir deste projeto.
Sempre presente em eventos cívicos e festivos, principalmente os de caráter religiosos e tradições regionais e locais, a Filarmônica Bom Jesus presenteou o município e visitantes que se fizeram presentes no entardecer deste domingo, 22 de junho, com uma maravilhosa retreta junina
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A força dessa experiência cultural é maior do que hoje podemos mensurar, pois em um momento histórico disputado pelo entretenimento esvaziado de sentido, o repertório nordestino ecoa na praça, mantendo referências importantes vivas na memória do povo, como por exemplo, o pernambucano Luís Gonzaga.

Reuniões comunitárias em volta de um projeto cultural como este só é possível quando a paixão pela cultura musical encontra o abraço da comunidade, das instituições sérias e dos responsáveis pelo ato, que no caso é o incansável maestro José Rubens e sua esposa Aparecida, que organiza folguedos e mantém grupos de brincantes como a quadrilha junina, entre outros.

De Zair Arruda a Padre Valerio Breda, Maestro José Rubens e sua esposa inúmeros outros se entregam de corpo e alma para que a Filarmônica Bom Jesus continue soando esperança no meio da praça, em belíssima expressão de amor pela cultura, o maior legado humano detectado.

Nos próximos dias, outros momentos com apresentação e festa acontecerão. Que os santos sigam abençoando esta trajetória magnífica, entre os desafios do chão brotando sensibilidade musical e motivo para continuar acreditando na beleza desse povo.





