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Repúdio ao assédio moral como prática de gestão

Nunca será demais abordar o assédio moral como desafio aos gestores alagoanos, pois as práticas coercitivas embutiram uma “normalidade” que grande parte dos convivas aprendeu a aceitar. Contudo, significa grande retrocesso da mentalidade, além de configurar crime.

Trabalhadores dos setores públicos têm sido responsabilizados pelo descarrilamento que permeia os serviços mau prestados, quando em verdade, há uma semeadura maléfica desde tempos remotos, calcificada em desvios de recursos e indisposição política, que estão sempre além dos meros cumpridores de ordens.

Utilizar cargos políticos para oprimir desafetos também não causa mais indignação em Alagoas, pois de certo modo, é até esperado. Detalhe: quem é efetivo, concursado, fica sempre ao dispor do indicado, que pode passar uma estação ou tornar-se “eterno” no cargo, a depender das articulações conseguidas.

Assediar moralmente tem sido ação constante e de fácil execução, pois o assediado vai sendo isolado dos grupos, e a lei do salve-se quem puder orienta o cotidiano. Desse modo, o indivíduo não terá mais com quem conversar, trocar informações, o que abre espaço para boicotes que atravessam circunstâncias mil, a desfavorecer o escolhido, que em muitos momentos será chamado de “incompetente” ou “irresponsável”.

Uma pecha silenciosa vai sendo cristalizada e apenas o assediado consegue sentir seus efeitos, mas estará cada vez mais solitário, e sabe que não terá testemunhas.

Como prática difícil de ser alcançada pela lei, já que dispõe de táticas eficientes, o assédio moral precisa ser combatido à força de indignação coletiva, de modo que, ser acusado de assediar moralmente possa desmoralizar o gestor da pasta, que geralmente utiliza prepostos para concretizar o crime.

Para isso, nós, sociedade, precisamos reagir mais, expressar mais nosso repúdio por gestores autoritários e afeitos à opressão de trabalhadores.

Não será novidade dizer que em determinadas secretarias de Maceió o assédio moral é corrente e recorrente, com apoio do titular da pasta, que por sua vez, resguarda-se em discursos prontos no intuito de desqualificar as vítimas.

Que esta atitude desumana nos cause asco e sejamos capazes de expressar louvor aos bons gestores, mas em igual nível desprezar a escolha ruim dos gestores que agem com assédio, desrespeitando a história de quem trabalha.

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