A história política brasileira é dominada pelo patriarcado e disso não podemos duvidar, mas certamente não é um motivo para orgulho! Ao contrário, este dado indica que por aqui a luta por território político partidário é mais renhida, travosa e marcada pela cruel misoginia; relegando a participação das mulheres a ladear os homens ou reproduzir o modus operandis destes quando chegam a ocupar cargos eletivos. As exceções são poucas mas existem e incomodam!
O simples interesse das mulheres por política tem sido rechaçado inclusive em partidos considerados progressistas, pois por mais que se progrida no discurso a temática relativa à participação de mulheres de igual para igual, incomoda também muitos homens que discursam à esquerda. Contudo, é na onda do “cristofascismo” que ocupa as tribunas mais conservadoras do país que a perseguição à mulher ganha materialidade, chegando ao cúmulo de uma deputada insistir em um projeto que acaba com a obrigatoriedade da cota de 30% de mulheres nas chapas eleitorais, que já é fruto de longa luta pela inserção formal da camada feminina nos pleitos.
Caroline de Toni é deputada federal por Santa Catarina, advogada, e adepta da luta contra a diluída “ideologia de gênero”, característica forte do seu partido: PSL.
O perfil conservador em alta no Sul do país deu a Caroline a maior votação entre as mulheres eleitas, e por certo incentiva sua aparição pública com tão polêmico e lamentável projeto no intuito de manutenção ativa da base, que corrobora com a ideia de mulher padrão doméstico, equidistante do feminismo e afinada com a supremacia masculina.
Efeito bruto do que denominamos bolsonarismo, a deputada pleiteia diluir o que é considerado conquista das mulheres (ainda em caráter insipiente) pois hoje apenas 15% das vagas não estão com representatividade masculina, em um país no qual a maioria votante nas últimas eleições foi mulher.
Este fato alerta para a importância de continuarmos lutando em favor do feminismo e pautas equitativas, nas quais possamos inserir maior fidelidade aos perfis femininos progressistas pois o conservadorismo é misógino e batalha pelo poder para silenciar as mulheres.
Desde 2014 as ondas fascistas atacam mulheres de esquerda, feministas e ativistas humanitárias sem nenhum disfarce, quebrando decoro, rompendo ética e desafiando a integralidade física de mulheres como a deputada Maria do Rosário, vítima do então deputado Jair Bolsonaro e seus asseclas sob as lentes dos jornalistas. A bancada feminina de esquerda tem sido empecilho para muitas ações impopulares que teriam ocorrido no silêncio do parlamento.
Estejamos de olho na política partidária, e quando possível coloquemos a boca no trombone em defesa dos direitos das mulheres, pois a onda de retrocesso está tão instigante que é provável sejamos surpreendidas com proibições antigas também nesta alçada.
Repudiemos este projeto de Caroline de Toni, uma mulher que não nos representa!
