Repórter Econômico: Decifrando o economês

José Jair Barbosa Pimentel- Dicas de economia para o dia a dia do consumidordinheiro2

Decifrando o economês

O livro de 183 páginas do economista Paul Singer, Aprender Economia, estou sempre consultando. Adquiri exatamente a sua primeira edição de 1983, quando já atuava como jornalista econômico, professor e economista. Dele não me aparto, fica em lugar de destaque em minha biblioteca de temas econômicos e consulto sempre, pois aprender economia continua sendo uma necessidade. Antigamente bastava aprender uma profissão.

A habilidade de fixar preços, comprar barato, preservar o valor das economias da família e assim por diante, não era adquirida nos bancos escolares. As pessoas se apropriavam da arte de operar no mercado na “escola da vida”, isto é,na prática. E a teoria econômica também não adjudava neste sentido: sua preocupação maior era demonstrar que todos agiam instintivamente com a maior racionalidade – fizessem o que fizessem -, sempre tirando proveito das oportunidades que se ofereciam. Em suma, economia enquanto ciência era coisa de especialistas.

De lá para cá
Hoje, todo mundo anda preocupado com a inflação as taxas de juros, o desemprego. As pessoas já entendem que “milagres” econômicos e crises econômicas não caem do céu, mas são resultado de decisões tomadas por ministros, banqueiros, diretores de multinacionais, etc. Só que a lógica destas decisões não estão ao alcance do leigo. Na imprensa escrita, televisada e na Internet, os jornalistas econômicos continuam utilizando a mesma linguagem dos economistas.

O economês
É uma alusão a linguagem técnica dos economistas. Lembra os mistérios da astrologia, que se ocupa da conjuntura dos astros, cujos movimentos trazem sorte ou azar conforme as leis inescrutáveis do horóscopo. Na economia é a mesma coisa: o público lê e ouve os especialistas, mas não entende do que realmente se trata.

Minha missão
Assim como meu guru Paul Singer, procuro traduzir o economês para o português ao alcance do comum dos mortais com instrução escolar média. Faço o mesmo na sala de aula para jovens pré-universitários, pois é preciso que eles saibam mais. Não basta ler um livro de economia ou utilizar sempre o dicionário de economês/português. O que todos necessitam mesmo é entender o modo de pensar dos economistas.

As mudanças
Atravessei os cinco planos econômicos (Cruzado, Bresser, Verão, Collor e Real), com mudanças significativas na economia. Não era tarefa fácil, pois tudo era feito pelo governo de surpresa. Mudava-se moedas, congelava-se preços e salários e por fim, o confisco do mercado financeiro, que virou o país de cabeça para baixo. O Real, já com quase 20 anos, trouxe realmente a estabilidade da inflação.

A coluna
Há mais de 30 anos a coluna Repórter Econômico tem a missão de transmitir dicas de economia para o dia a dia do consumidor. Passei por jornais diários,semanários e revistas, sempre usando a linguagem acessível, decifrando siglas (que são inúmeras) e mostrando o que elas realmente significam e afetam o bolso de cada um.

Fazendo as contas
Sempre oriento o leitor para a necessidade de elaborar um orçamento doméstico, com receita e despesa, anotando tudo que entra e sai de seu bolso. Importante é deixar pelo menos 10% da renda, para depositar numa caderneta de poupança, formando sua reserva financeira para alguma emergência.

Taxa Selic
Quando o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anuncia mensalmente a nova taxa de juros, ela é específica entre bancos, denominada Taxa Selic, que se encontra em 8,5% ao ano. Obviamente que nada influi no bolso do consumidor de imediato. No cartão de crédito rotativo e no cheque especial, ela chega aos 10% ao mês. Portanto prejuízo em seu orçamento.

Inflação
O ideal seria que com a inflação pudesse se viver e ir crescendo. Mas não é o que acontece. A inflação brasileira (algo em torno de 6% ao ano) não vem fazendo com que o Produto Interno Bruto (PIB), que é tudo que o Brasil produz durante um ano, vem caindo. Quando a inflação aumenta, o governo aumenta o juro, exatamente para que o crédito diminua.

.