Números do Governo mostram que o primeiro ano da administração Renan Filho (PMDB) priorizou investimentos em policiamento e diminuição de recursos para a educação básica- aquela que pode retirar Alagoas da liderança nacional em analfabetismo.
Segundo o relatório resumido de execução orçamentária publicado em janeiro- e assinado por Renan Filho, além de técnicos da área fazendária- os investimentos em policiamento somaram, ano passado, R$ 781 milhões. Em 2014, R$ 732,8 milhões. Aumento de 6,69%.
Em educação básica- que engloba os níveis infantil, fundamental e médio- foram R$ 505 milhões ano passado contra R$ 532,3 milhões em 2014. Queda de 5,12%.
Nos gastos gerais, a Secretaria de Educação tem uma pequena vantagem, em relação à Segurança Pública.
Fechou em R$ 1,2 bilhão contra R$ 1,1 bilhão, na Segurança.
Outro lado
Educação, segundo Renan Filho, é prioridade na administração.
Em discurso de posse, em 1 de janeiro de 2015, ele prometeu uma “revolução” na área:
“Quero reafirmar que considero a Educação o motor da mudança, o impulso e a alavanca para o grande salto que precisamos dar rumo ao desenvolvimento econômico e social do Estado. Por isso meu governo não faz por menos: a meta é fazer uma revolução na Educação de Alagoas. Já disse, e repito aqui, que a escola será o principal equipamento público deste Estado nos quatro anos que começam hoje”, disse Renan.
Completou, em seguida:
“A revolução na Educação em Alagoas, além de ser uma necessidade, é uma oportunidade que a História novamente está nos dando para fazer o Estado dar um salto decisivo – e não podemos perdê-la. Alagoas não pode mais adiar sua entrada na Era do Conhecimento. Já estamos atrasados, temos que correr contra o tempo”.
Apesar dos números, o secretário de Educação, Luciano Barbosa, pediu união com os municípios alagoanos para que todas as crianças sejam alfabetizadas até o final do terceiro ano do Ensino Fundamental.
Esta é a meta número 5 dos planos nacional e estadual de Educação.
“Hoje, 95% do Ensino Fundamental é ofertado pelos municípios. É preciso uma efetiva articulação de todos para alcançarmos esta meta. Vamos realizar um trabalho vigoroso, fazer esta torneira parar de pingar e garantir um mundo melhor para nossas crianças”, disse.
Mais de 35%- de acordo com o Governo- das crianças estão fora da faixa etária na educação.
Cenário
Em 2016, o palco da crise federal continua armado no Palácio República dos Palmares.
E após o carnaval, Renan Filho senta à mesa com o secretariado.
A despesa bruta com pessoal cresceu- entre 2014 e 2015- 13,3% mas a arrecadação do ICMS e do IPVA caiu no mesmo período.
O ICMS teve queda de 6,25%. Menos R$ 150,6 milhões nos cofres do Estado; o IPVA caiu 10,5%. Menos R$ 22 milhões.
A despesa bruta com pessoal somou, em 2015, R$ 3,437 bilhões. Como o Estado contratou mais, a máquina teve de pagar-em relação a 2014- mais R$ 341,9 milhões.
Pior é a folha de aposentados, que em 2016 vai alcançar a casa do bilhão. Em 2015, fechou em R$ 982,2 milhões.
Quanto ao Fundo de Participação dos Estados (FPE), Alagoas perdeu- entre 2009 e 2015- R$ 2,5 bilhões.
Apenas nos dez primeiros dias deste ano, as finanças públicas de Alagoas- acompanhando o ritmo nacional- perderam R$ 112,2 milhões do FPE- na comparação com o mesmo período do ano passado, que registrou, nos primeiros dez dias de 2015, R$ 153,7 milhões. Queda de 26,99%.
Os repasses do FPE representam 40,65% da receita corrente líquida de Alagoas.
A análise é feita Wagner Torres, administrador e com Especialização em Gestão Fazendária na Universidade Federal de Alagoas.
E a pressão por aumentos nos salários promete se intensificar depois do Carnaval.
O diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Isac Jacson, classificou como “desaforo” o anúncio d Renan Filho (PMDB) de reajuste zero aos servidores públicos.
Segundo ele, mesmo com a crise, os cofres do Estado estão arrecadando mais.
“O governo subiu agora o ICMS [Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] de 17% para 18%. Olhe, o governo arrecadou mais. 2014 arrecadou mais do que 2013, 2014 o Renan [Filho] arrecada mais do que 2015. Pago caro a quem provar que ele arrecadou um real a menos, comparado a 2014 e eu não vou comparar em termos de real. Vou comparar em termos percentuais. O percentual de crescimento da economia alagoana nos cofres públicos é maior do que 2014”, disse Isac.
Ainda de acordo com ele, o corte de cargos comissionados e a redução na quantidade de secretarias geraram reservas financeiras ao Estado.




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E promessas, o que todos fazem
“Eduque as crianças de hoje para que não precises punir os adultos de amanhã”