Repórter Nordeste

Renan e Almeida criam a 'Maceió de Mozart' para afrontar Rui Palmeira e Jeferson Morais

A conversa entre o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, e o prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP) parece ter rendido os frutos esperados para as eleições deste ano, pelo menos no lado eleitoral dos senadores Fernando Collor (PTB) e Renan Calheiros (PMDB), que passam a incomodar mais o Palácio República dos Palmares- e o avanço dos tucanos, alastrando-se rapidamente pelo interior.

O secretário de Infraestrutura, Mosart Amaral, virou o mais novo herói do caótico trânsito da capital e na reforma de 30 escolas da rede municipal- uma ginástica que só pode ser explicada pelo milagre eleitoral.

Na quarta-feira, ele atrasou meia hora para uma matéria com a TV Gazeta- do senador Collor. “Peço desculpas pelo atraso. Também fiquei preso no trânsito”, respondeu. Havia marcado em um ponto da avenida Márcio Canuto.

E a solução para a reclamação número um dos que têm carro em Maceió está, segundo a Prefeitura, nesta avenida. Ela tem seis quilômetros e liga as partes alta e baixa. O bairro de Guaxuma, por exemplo, terá uma ligação com o conjunto José Tenório, na Serraria e o Sítio São Jorge.

“Não estamos em pré-campanha eleitoral”, esclareceu Mozart. O engenheiro da Casal nunca disputou cargo público. “Conheço toda Maceió graças a este trabalho na Casal”, resumiu.

Mosart é o nome da dupla Renan/Almeida para as eleições em Maceió. A aparição pública dele não é apenas uma estratégia eleitoral- mas uma forma de neutralizar o deputado federal João Lyra (PSD), que é candidato a Prefeitura mas seu QG de campanha esconde o parlamentar do eleitorado da capital. É como se fosse uma tentativa de evitar um desgaste público.

“Nunca participei de uma eleição. Isso foi surgindo naturalmente. Conheço bem esta cidade, sou engenheiro da Casal, vejo estes problemas há muitos anos. Eu não consigo imaginar esta cidade voltando ao marasmo que era. Maceió é a capital que mais cresce no Nordeste. Isso não é em vão. Claro, temos uma conjuntura nacional, mas a administração também puxa isso. A candidatura depende das articulações. A depender disso, encaramos este desafio”, disse o secretário- que deverá deixar o cargo na primeira semana de abril.

Mosart Amaral é uma “deixa” do grupo liderado por Renan. Como nome técnico, é uma resposta ao deputado federal Rui Palmeira (PSDB)- os tucanos levam o parlamentar a um bairro de Maceió por semana por ele conhecer pouco esta “Maceió de Mosart”- o deputado Jeferson Morais- jornalista, com bom trânsito na periferia, vasto conhecimento das grotas e vielas- e o secretário de Assistência Social, Marcelo Palmeira- que deve ser vice de Palmeira ou Morais.

Os três nomes repetidos- novamente, esta semana- pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).

“Me sinto preparado para ser candidato a Prefeitura de Maceió. Agora, não faço qualquer acordo para isso”, disse o deputado Judson Cabral (PT), que esta semana voltou a sofrer uma rasteira do seu partido: o PT decidiu que o deputado Ronaldo Medeiros deixaria de ser o líder da legenda na Assembleia e Marquinhos Madeira assumiria a função. Um dos parlamentares mais faltosos e sem um único discurso, Marquinhos Madeira é filho do prefeito de Maragogi, Marcos Madeira, que apoia o deputado federal João Lyra. O acordo que vale para o pai é válido também ao filho dele.

Entre Judson e JL, Marquinhos Madeira apoia o parlamentar federal, sem risco de infidelidade partidária- porque PT e PSD fazem parte do mesmo grupo, em Alagoas.

Com tantos problemas, o grupo Renan/Collor leva a disputa com mais de um nome na capital, refletindo a mesma estratégia dos palacianos gravitando em Teotonio Vilela Filho.

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