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Rei enche governador de penduricalhos para chefiar Alagoas

O primeiro governador de Alagoas, Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, enfrentou muitos problemas para assumir o cargo, a começar pela escolha pessoal: achava-se digno de comandar uma província como São Paulo ou Pernambuco, mais conhecidas e ricas, que Alagoas, uma terra há pouco emancipada e com toda uma estrutura burocrática por fazer.

Porém, falaram mais altos os penduricalhos oferecidos pelo rei. Foi promovido a tenente-coronel da infantaria, recebeu as comendas Ordem de Cristo e cavaleiro da Torre e Espada, mais duzentos mil réis de pensão.

Viúvo (a esposa morreu no parto do segundo filho) e com os dois filhos, Melo e Póvoas desembarcou no porto de Jaraguá em 27 de dezembro de 1818. Para sua decepção, ninguém foi esperá-lo e nos meses que se seguiram sua vaidade foi testada ao máximo: queria mais dinheiro para bancar as despesas dos filhos e pagar o aluguel porque não tinha um palácio para hospedá-lo nem o clima quente e úmido ajudava sua saúde.

Os funcionários do rei ironizaram o governador: pediram que ele se mudasse para Atalaia, onde os alugueis eram mais baratos.

Afinal estabelecido em Maceió, o governador teve de improvisar um hospital, mesmo sem camas, para atender aos praças que o acompanhavam.

Seis meses depois, Alagoas foi descrita por Póvoas como um lugar com oito vilas (quatro delas na capital) e 110 mil habitantes.

Como seu estado de saúde ficou pior, formou uma junta provisória para administrar o nascente estado, escolhendo o ouvidor José Antônio Ferreira Braklami. E embarcou no porto de Jaraguá direto para o país natal: Portugal, onde morreu em 29 de março de 1830.

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