Reeleito, Collor promete ajudar na renegociação da dívida dos estados

Reeleito ao Senado, Fernando Collor (PTB) disse que uma das prioridades do seu próximo mandato será a renegociação do indexador da dívida pública dos estados, além de ajudar Renan Filho (PMDB) no Governo.

Entrevistado pela TV Mar, Collor agradeceu os votos e não descartou concorrer ao Governo de Alagoas em 2018.

Ele foi reconduzido ao Senado pelos eleitores alagoanos neste domingo (5) e ficará mais oito anos em Brasília. Ele derrotou a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), que foi a principal adversária à sua candidatura em Alagoas. Também concorreram ao cargo Omar Coelho (DEM), Elias Barros (PTC), Coronel Brito (PEN), Marcos Aguiar (PTN) e Oldemberg Paranhos (PRTB).

Durante a campanha, Collor sempre esteve na liderança das pesquisas e, por isso, evitou todos os debates e entrevistas em veículos de comunicação. Ele se dedicou à campanha em caminhadas e carreatas, especialmente pelo interior, onde ficam seus maiores redutos eleitorais. Para o governo de Alagoas, apoiou o candidato Renan Filho (PMDB), com quem participou de dezenas de atos.

Collor também usou parte da campanha eleitoral para refazer a sua imagem de “ficha limpa”, uma vez que foi absolvido em abril pelo STF (Supremo Tribunal Federal) do último processo da época da Presidência.

Em seu primeiro programa, Collor chegou a dizer que seu impeachment da Presidência, em 1992, foi um “golpe parlamentar”.

Para a disputa de 2014, o senador conseguiu, pela primeira vez, unir a família e contou com apoio do sobrinho, Fernando Lyra Collor, filho de Pedro Collor e Thereza Lyra.

Apesar de ser alvo de críticas no programa de TV da presidente Dilma Rousseff (PT), Collor também teve o apoio do PT alagoano e outros partidos da base aliada federal.

Na declaração de patrimônio, o senador disse ser dono de uma coleção de veículos de luxo, que inclui uma BMW 760 — com valor declarado de R$ 714 mil — e uma Ferrari Scaglietti — de R$ 556 mil.

Collor viveu uma carreira de altos e baixos na política. Foi prefeito de Maceió (1979-1983), governador de Alagoas (1987-1989) e chegou à Presidência da República em 1989, se dizendo “caçador de marajás”.

Após medidas impopulares, com planos econômicos de arrocho salarial e confisco da poupança, Collor sofreu um duro golpe, em 1992, quando foi alvo de denúncias de corrupção de seu irmão, Pedro Collor, que viriam a iniciar uma onda de protestos no país, em um movimento pelo Brasil conhecido como “caras pintadas”.

Ainda naquele ano, pressionada pelas denúncias e por diversas manifestações públicas, a Câmara autorizou a abertura do processo de impeachment por 441 votos a 38. No começo de outubro, o processo chegou ao Senado, e Collor foi afastado interinamente.

Fernando Collor de Mello renunciou à Presidência em 29 de dezembro de 1992, quando o Senado julgava seu afastamento definitivo, e foi substituído pelo vice, Itamar Franco, que governou o Brasil até 1994.

Collor ainda tentou, em 2000, candidatura à Prefeitura de São Paulo, mas acabou sendo vetado pela Justiça. Dois anos depois, tentou concorrer ao governo de Alagoas, mas perdeu ainda no primeiro turno para o então governador, Ronaldo Lessa (PDT).

Em 2006, Collor entrou na disputa para o Senado 28 dias antes da eleição, venceu e retornou à vida pública. Nas eleições de 2010, tentou mais uma vez voltar ao governo de Alagoas, mas acabou ficando fora do primeiro turno.

Com UOL

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