A recuperação econômica dos Estados Unidos ganhou força em 2012, com todas as áreas do setor privado, exceto a agricultura, contribuindo para o crescimento, segundo mostram números do Bureau of Economic Analysis (BEA).
O valor agregado real na construção subiu pela primeira vez em oito anos, com o início da recuperação do setor imobiliário residencial e o setor financeiro dando sua primeira contribuição ao crescimento em dois anos.
Os dados sugerem que a recuperação da economia dos EUA está mais diversificada e elástica.
Os números do PIB do primeiro trimestre, que saem hoje, devem mostrar alta anualizada de 3%.
A maior contribuição para o crescimento de 2,2% em 2012 veio do setor industrial, que respondeu por 0,71 ponto porcentual, segundo cálculos do setor para o PIB.
Os números do BEA desmembram a economia por tipos de atividade, como consumo e investimentos, mas uma vez por ano a agência também publica os números da economia por setores.
Esses números mostram que 2012 foi principalmente um ano de recuperação cíclica, com forte salto na produção de bens duráveis. Entretanto, os comércios atacadista e varejista contribuíram juntos com 0,5 ponto porcentual para o crescimento, enquanto a contribuição dos setores financeiro e imobiliário foi de 0,43 ponto, e a do setor da construção, de 0,11.
O fortalecimento da recuperação econômica é um motivo de esperança após uma sequência de dados decepcionantes em março, que levantaram o temor de mais uma “desaceleração na primavera” [segundo trimestre nos EUA].
O crescimento do PIB do primeiro trimestre será visto com mais cautela que o normal pelos mercados, não só por ser uma primeira estimativa, vulnerável a grandes revisões, como pela aparente fraqueza do fim do trimestre fazer dele uma referência fraca para o rumo que a economia deverá tomar.
“O número deverá ser bem sólido, tenho aqui 3,3%”, disse ontem Jim O”Sullivan da High Frequency Economics, de Nova York. “Mas não achamos que a tendência seja necessariamente de 3,3%.”
Uma grande parte do crescimento do primeiro trimestre provavelmente veio da reposição de estoques. O escoamento dos estoques contribuiu para o crescimento anualizado bem fraco, de 0,4%, no quarto trimestre de 2012.
O número a ser olhado hoje é “as vendas finais do produto doméstico”, que mede as vendas reais para os consumidores e empresas americanos, excluindo estoques, e representa um guia melhor da saúde da economia.
“A parte das vendas finais provavelmente não será superior a 2%”, disse O”Sullivan. “Até mesmo uma parte disso representará um desembaraço dos efeitos da seca.”
Entretanto, ele disse que seria um erro extrapolar muito os dados fracos de março (os números foram ruins para a criação de empregos, as vendas no varejo, as encomendas de bens duráveis e a confiança nos negócios), porque pelo menos parte deles podem ser um reflexo da guinada de um inverno incomumente brando para uma primavera excepcionalmente fria.
“Os números de pedidos de auxílio desemprego foram bem encorajadores nas últimas semanas”, disse. Eles recuaram ao número sazonalmente ajustado de 339 mil, similar ao patamar registrado no começo de março, o que sugere que o mês pode ter sido um desvio. “No geral, a economia está se mantendo bem”, disse O”Sullivan.
Joseph LaVorgna, principal economista do Deutsche Bank em Nova York, disse que o número do PIB deverá ser bom, mas é melhor tratá-lo com cautela antes da revisão dos dados, esperada para o terceiro trimestre. “Eu me concentraria no mix geral do crescimento. Acho que veremos um número final muito bom da demanda.”
Ele disse que os muitos anos de crescimento na casa dos 2% deixaram os mercados céticos em relação a uma tendência de alta. “O que os investidores não estão percebendo, no momento, é que estamos no meio do que deveria ser uma recuperação bem sólida do setor imobiliário residencial, que está sendo mais difusa do que eles acreditam.”
As informações são do Valor Econômico