Diário de Pernambuco
Foi enterrada na tarde desta terça-feira (18) a garota Kétuli, de quatro anos, encontrada morta enrolada em um lençol, com a blusa levantada e sem calcinha, na madrugada desta segunda-feira (17), no bairro da Mangueira, Zona Oeste do Recife. A criança ainda tinha marcas de mordida e violência sexual. O sepultamento não durou mais do que cinco minutos, revoltados, os moradores da comunidade queriam linchar a mãe da menina, Érica Regina. A mulher foi escoltada por mais de dez policiais e está protegida na sala da administração do Cemitério de Santo Amaro, na Zona Norte.
Um ônibus com mais policiais militares e do Grupo de Apoio Tático Itinerante está no local para reforçar a segurança. Érica Regina disse ter errado por deixar a menina só. “Agora é só dor, mas voltarei para a minha casa. Se alguém quiser me matar, que mate. Sei que Ângelo queria se vingar de mim. Não foi nada por conta de droga. Ele matou minha filha porque eu nunca quis ter nada com ele. Foi vingança”, declarou.
De acordo com a família, Kétuli teria desaparecido na noite do domingo. O caso está sendo investigado pelo delegado João Brito, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo o delegado Paulo Furtado, o desempregado Ângelo de Israel Barbosa da Silva, 30, confessou o estupro, mas negou o homicídio. A polícia diz ter evidências que o apontam como autor do crime. Na casa do suspeito foram encontradas a calcinha e as sandálias da vítima, além de um preservativo usado no estupro. O homem, preso em flagrante e levado para o Centro de Triagem, em Abreu e Lima, nega envolvimento no caso.
A comunidade ficou revoltada. Vizinhos disseram que a menina costumava passar horas fora de casa e que a mãe seria usuária de drogas. Antes de o verdadeiro suspeito ser identificado e detido, um idoso inocente sofreu uma tentativa de linchamento e um funcionário da TV Clube/Record, que cobria o caso, foi agredido a tapas. O carro da emissora também foi alvo da fúria do grupo e terminou apedrejado.