O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, decidiu encarar de frente a tempestade que se formou ao redor de seu nome nos últimos dias.
Durante seu programa no SBT nesta segunda-feira (16), o comunicador de 70 anos não apenas comentou a polêmica envolvendo a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), como reforçou sua postura, afirmando que sua “sinceridade” é o que mais incomoda no atual cenário da televisão brasileira.
O embate, que começou com um comentário sobre a presidência da Comissão da Mulher na Câmara, agora saiu das telas e virou caso de Justiça.
A controvérsia teve início no último dia 11, quando Ratinho questionou a escolha de Hilton para o cargo, afirmando que a parlamentar “não é mulher” e reduzindo a identidade feminina a critérios biológicos, como ter útero e menstruar.
A fala gerou uma onda imediata de acusações de transfobia nas redes sociais.
Em resposta, o apresentador utilizou seu espaço no horário nobre para agradecer o que chamou de “apoio unânime” de seus seguidores. “Muita gente mesmo concordou comigo”, disparou, definindo-se como uma vítima de “patrulhamento” por ser “direto e reto” em uma era dominada pela internet.
Enquanto Ratinho dobra a aposta e avisa que não mudará seu jeito de ser para “agradar quem quer que seja”, a deputada Erika Hilton move as peças no tabuleiro jurídico.
A parlamentar classificou as falas como uma “violência simbólica” e um ataque que ultrapassa sua individualidade, atingindo toda a comunidade trans.
O embate escalou para o Ministério Público de São Paulo (MPSP), onde o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância já foi acionado para investigar o apresentador por discurso discriminatório.
Para o Ministério Público Federal (MPF), que também acompanha o caso, as declarações de Ratinho contribuem para desumanizar identidades trans ao limitar o conceito de mulher a características fisiológicas.
Em sua defesa prévia nas redes sociais, o apresentador tentou enquadrar suas falas como “crítica política” e “jornalismo”, convocando outros comunicadores a não se calarem.
Contudo, para a justiça e para os órgãos de direitos humanos, a linha entre a opinião e a discriminação parece ser o ponto central de um processo que promete redefinir os limites do que é dito ao vivo na TV aberta.







