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R$ 9,6 milhões no desfile que derrubou a Acadêmicos de Niterói

O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para a Série Ouro deixou um rastro de polêmica que vai muito além das notas dos jurados. Com o enredo dedicado à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a agremiação recebeu um aporte total de R$ 9,6 milhões em verba pública, proveniente de um complexo arranjo que envolveu desde o governo federal até administrações municipais.

Enquanto a escola amargava a última colocação com 264,6 pontos, os bastidores de Brasília e do Rio de Janeiro ferviam com o detalhamento de como esses recursos foram viabilizados e a intensa participação da cúpula do governo federal nos preparativos.

A influência do Planalto no projeto foi explícita. A primeira-dama Janja da Silva visitou o barracão da escola em duas ocasiões estratégicas, acompanhada de toda a estrutura de segurança e assessoria custeada pelo erário.

Na última visita, em fevereiro, Janja esteve ao lado da ministra Anielle Franco (Igualdade Racial), que chegou a dedicar sua agenda oficial para acompanhar o ensaio da agremiação.

Em registros que circularam nas redes sociais, ambas aparecem fazendo o gesto do “L” ao lado do presidente da escola, Wallace Palhares.

O dirigente, inclusive, teve trânsito livre no 4º andar do Palácio do Planalto, onde se reuniu com a ministra Gleisi Hoffmann e André Ceciliano, figuras-chave na articulação política e liberação de emendas, áreas sem qualquer relação direta com fomento cultural.

No detalhamento das cifras, o maior repasse partiu da Prefeitura de Niterói, que injetou R$ 4 milhões na escola de sua cidade. O prefeito Rodrigo Neves (PDT) justificou o valor afirmando que a mesma quantia foi destinada à Viradouro, a grande campeã do Carnaval deste ano.

Pelo governo federal, a Embratur, comandada por Marcelo Freixo (PT), depositou R$ 1 milhão, montante padronizado para todas as escolas do Grupo Especial. Outros R$ 2,5 milhões vieram do governo estadual via Liesa, em um contrato assinado por João Felipe Drumond, neto do histórico bicheiro Luizinho Drummond, enquanto a Riotur complementou o caixa com mais R$ 2,15 milhões.

Apesar do investimento milionário e do peso político mobilizado, o resultado na avenida foi o inverso do esperado. Com o título “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola não conseguiu convencer os jurados e acabou rebaixada.

Agora, o descompasso entre o alto volume de dinheiro público, a intensa movimentação de ministros no barracão e o desempenho técnico pífio alimenta uma nova frente de críticas que promete levar a discussão do Sambódromo direto para os órgãos de controle.

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