Vivemos a era do decreto legal. Parece também uma forçada de barra para instituir o ser humano ideal, obrigatoriamente.
Por que isso não sai à contento?
Por refletir uma prática, acima de tudo dominadora. Ampliando uma ótica que não contempla a integralidade humana em suas especificidades.
Há muito a sabedoria nos diz que não se pode tirar de onde não se põe.
Como esperar gentilezas de quem só recebe hostilidades? Como aguardar respostas de cuidados com bens coletivos de quem é tratado como coisa sem valor?
As reminiscências dos maus tratos socioculturais estão entranhadas em nós. Mas extravasam, escorrem nas indiferenças de cada dia. Na solidão urbana que desfigura nossa identidade
Haveremos que atentar para não perder de vez a doçura. Amargar os diálogos e dilacerar os sonhos em tristes monólogos, por certo não nos aliviará a jornada. Somos ainda aqueles seres interativos.Admitir que precisamos uns dos outros para reafirmar o senso de pertença, é um bom começo.
Não conseguirei privar minha vida da partiipação nos fatos desse tempo, sem a sequela gradativa da alienação.
Alienar é separar, retirar. A saúde social requer inclusão. Inserção nas alegrias e também nas dores do presente. As individualidades são componentes indissociáveis da coletividade.
Decretar não resolve. Precisamos construir a mentalidade pósdemolição dos valores de outrora, erguendo um patamar de novas referências, para lém da frieza material da ditadura do consumo.
Socializar é permitir que as coletividades caminhem para o tempo da consciência planetária, no qual, a fome não seja permitida nem a morte seja tolerada; para que haja vida em seus processos ciclícos naturais.
Não há fuga possível agora. O crescimento consciencial será a única via de libertação.