A ideia de chegada da primavera é semelhante a um cesto de flores coloridas, que nenhum carrega, mas todos sabem que existe em algum lugar, e elege as suas preferidas!
Nesta representação simbólica poética e otimista, trago para este escrito a luta que contemplei nas salas de oncologia em Maceió.
O câncer não tem idade biológica, não tem sexo, apenas existe! Sua presença, no entanto, abre uma cortina cinzenta na vida que o porta, para aos poucos deixar entrar, outra vez, o colorido da esperança, devagarinho…
Milena tem três aninhos, a cabeça careca, um sorriso nos lábios e muito gosto por desenhos! Está em luta.
Thiago tem dez anos, aprendeu a resolver burocracia, fazer amigos nos centros médicos, e encaixar sua esperteza nas circunstâncias, é um menino guerreiro!
Lázaro tem cinco anos, viaja todas as manhãs para fazer radioterapia e alegra o ambiente com brincadeiras infantis, sempre nos braços do pai. Luta como consegue, como está aprendendo a fazer.
Outros, outras, demonstram mais ou menos a dor, o enfraquecimento, a resiliência…
Lindo caso: quando a esposa ligou para o marido avisando que iniciara a quimioterapia e estava sem cabelos, em lágrimas, não podia esperar a surpresa que este fez para ela: chegou em casa careca também!
É claro que existem os endurecidos. Os raivosos, os revoltados. Nada mais posso oferecer-lhes além de compreensão, neste instante. Mas àqueles que ainda esperam colher as flores preferidas, é que ofereço este escrito, com essa mensagem de primavera!
Eu que acredito na vida, sempre, lhes agradeço pelo exemplo!
Não é fácil a saga de quem usa o SUS, pela própria dinâmica das esperas, das lotações, da cultura indiferente que se propaga.
As dificuldades subjetivas, o corpo enfermo, e o acréscimo da luta pelo tratamento, faz dessas histórias todas, grandes histórias de sofrimento. Mas eles seguem lutando.
Olhar na direção da luta contra o câncer poderia ajudar muitos de nós a superarmos crises existenciais fundamentadas nos desgostos do materialismo frustado.
As reações egóicas tendem a diminuir, quando nos deparamos com o verdadeiro tamanho do ser humano, frente aos desafios que a enfermidade traz.
Neste início de semana, de mês, de tempo, a esperança dos ramalhetes coloridos e o desejo de boas colheitas de vitórias aos guerreiros e guerreiras das salas de oncologia, do mundo inteiro!





