Será possível termos professores que não conhecem práticas pedagógicas, médicos que não sabem sobre intervenções medicinais e jornalistas que não validam o exercício do jornalismo?
Perguntas que nos remetem a pensar sobre esse tempo que alardeia uma ideia de “todos podem tudo”, e no mesmo bojo, apaga competências, desqualifica experiências e analfabetiza quem consome “de qualquer jeito” aquilo que se apresenta.
Obviamente nosso preâmbulo é um chamado à reflexão.
Como mulher que escreve primeiro tenho sido mulher que faz leituras, desde aquelas convencionais às outras mais sutis, que palpitam nas entrelinhas da vida social e dos relacionamentos. Assim encontro o jornalismo sendo cada vez mais transformado em “texto oportuno” que apenas recebe permissão para “agradar” a um dos lados, nas questões dialéticas que envolvem interesses.
Uma figura que merece ser analisada com cuidado é o chamado “assessor de imprensa”, que ganhou status de gravitação no entorno de poderes e aderiu ao comportamento classista do assessorado, exalando inclusive o pior das relações estamentais dentro das estruturas arcaicas. Esse esqueceu o que é jornalismo.
Quando o assessor cumpre sua função de mediar conflitos, aconselhar assessorado e atua profissionalmente sem esquecer o que estudou, se torna aliado do jornalismo. Uma ponte importante para a comunicação transitar. Mas a prática revela que para isso urge uma consciência maior, como espécie de antídoto “antideslumbre”.
Em resumo, o conhecimento político é essencial para a boa prática em todos os campos profissionais. Consciência de classe também ajuda muito, e tem feito falta no atual contexto socio-histórico.
Jornalismo nunca foi tão necessário e ao mesmo tempo, tão combatido, embora esse combate aconteça sob os vernizes da mais intensa hipocrisia, nos arredores das casas-grandes onde os poderes se instalam para comandar o modelo excludente de sociedade que os privilegia.
Por mais jornalismo e menos servilismo! A história sempre agradece.







