Após o anúncio da era Michel Temer de vender a Eletrobrás, uma das principais discussões sobre este assunto é: qual o futuro da Chesf, que também controla as águas do rio São Francisco?
De Alagoas, apenas o governador Renan Filho (PMDB) posicionou-se sobre o assunto, junto aos outros governadores do Nordeste: é contra a privatização tanto da Eletrobrás quanto ao fim da Chesf.
Fiel a Temer, a bancada federal de Alagoas sabe o custo eleitoral de apoiar a venda de uma estatal. Principalmente de uma estatal que mexe com água e energia elétrica numa das regiões mais pobres do Brasil.
E como 2018 vem aí, a bancada finge que este debate não existe.
No livro “A Privataria Tucana”, mostra-se que a privatização não era exatamente uma posição por melhores serviços para o consumidor. E, sim, cobrar por fora pela venda- ou entrega- do patrimônio público.
A movimentação da dinheirama- entre paraísos fiscais, offshores e mais e mais propinodutos- impressiona pelos números e a elasticidade da corrupção. Uma pandemia mundial porém incorporada com naturalidade no dia a dia do brasileiro.
O país, aliás, é refém de empresas de telefonia. E poucos arriscam defender a qualidade dos serviços distribuídos ao consumidor. Além de que estas empresas seguem subsidiadas pelo poder público- veja a OI.
No caso da Chesf, a questão é mais sensível. Porque mexer na tarifa de energia elétrica é aumentar o abismo entre ricos e pobres. É mexer na desigualdade, para torná-la mais desigual. O programa Luz para Todos retirou brasileiros do escuro.
Ignorar a existência de pobres no Nordeste mudará os rumos da região? Parece que não.
Definir quem terá acesso a um bem vendido ao menor preço possível, incluindo custos e manutenção do sistema- exclusivamente pelo critério de quem pode pagar o preço de mercado- é selvageria social.
Está escrito em relatório da Federação Regional dos Urbanitários do Nordeste (FRUNE): a energia elétrica fica mais cara com a privatização. Foi assim em outros países. Não será diferente no Brasil.
A privataria discursa para o consumidor mas ele- neste jogo de perversos- é quem menos interessa na operação casadinha ‘entrega de bem público-corrupção’.





