A recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou no bombardeio de Caracas e na captura de Nicolás Maduro, acendeu um sinal de alerta na população brasileira.
Segundo levantamento do instituto Genial/Quaest, divulgado pela Folha de S.Paulo, 58% dos brasileiros afirmam temer que o governo de Donald Trump possa adotar medidas semelhantes contra o Brasil. O cenário reacendeu debates profundos sobre soberania nacional e a posição diplomática do país no tabuleiro global.
A pesquisa revela uma nação dividida e, ao mesmo tempo, cautelosa. Quando questionados sobre qual deveria ser a postura oficial do Brasil diante do embate entre Washington e Caracas, a maioria esmagadora (66%) defende a neutralidade.
Uma fatia menor, de 18%, apoia a intervenção norte-americana, enquanto 10% acreditam que o governo brasileiro deveria se opor diretamente à ação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido uma postura de condenação enfática à operação. Logo após os ataques, Lula classificou a incursão como uma violação do direito internacional e uma “linha inaceitável”, alertando para o risco de um mundo regido pela “lei do mais forte”.
O tom diplomático endureceu ainda mais na Organização dos Estados Americanos (OEA), onde o representante brasileiro, Benoni Belli, utilizou o termo “sequestro” para se referir à prisão de Maduro pelos militares dos EUA.
Apesar da defesa da soberania, a reação do Planalto não é consenso entre os eleitores. O levantamento aponta que 51% dos entrevistados consideram errada a forma como Lula respondeu ao episódio, contra 37% que aprovam sua conduta.
Essa percepção é fortemente influenciada pela polarização política: enquanto 72% dos eleitores de esquerda apoiam o presidente, 82% dos entrevistados de direita desaprovam sua postura.
Curiosamente, o apoio à ação militar em si divide o público que acompanhou as notícias: 46% dos que souberam do caso aprovam a intervenção de Trump, e 50% consideram aceitável interferir em outro país para retirar um líder acusado de autoritarismo.
No entanto, o receio de que o Brasil seja o próximo alvo parece sobrepor-se à avaliação ideológica do conflito vizinho.
No campo eleitoral, o impacto parece ser limitado, mas relevante para a oposição. Embora 71% afirmem que o episódio não mudará seu voto nas próximas eleições, 17% dos entrevistados admitem que a postura de Lula aumenta a preferência por candidatos oposicionistas.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 8 e 11 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais.








