Quadrilha de arrastões migram para despistar

A área policiada pelo 7º BPM, o Higienópolis, foi alvo de dois arrastões a restaurantes em um intervalo de cinco dias na última semana

Terra

Os arrastões em restaurantes, crime que a cidade de São Paulo vem registrando com frequência em 2012, são realizados por quadrilhas “inteligentes”, que migram de área após as ações para despistar, afirma a Polícia Militar. “Eles têm essa estratégia de não agir muito no mesmo local para não levantar suspeitas. Por isso, mudam de bairro, migram para outras regiões”, afirma o sub-comandante do 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana (7º BPM), major Marcos Antonio Félix. Para o PM, a polícia também deve agir com inteligência para tentar prever as ações dos criminosos. “A gente precisa estar sempre um pouco à frente deles”, diz.

A área policiada pelo 7º BPM, o Higienópolis, foi alvo de dois arrastões a restaurantes em um intervalo de cinco dias na última semana. Na madrugada do dia 28 de maio, a tradicional pizzaria Bráz, localizada na rua Sergipe, foi invadida por um bando que fugiu levando dinheiro do caixa e pertences dos clientes. No dia 1º de junho, foi a vez do restaurante Carlota, na mesma rua, ser assaltado de forma semelhante.

A polícia, entretanto, acredita que os dois casos tenham sido pontuais. “Não tínhamos, há muito tempo, ocorrências nesse sentido”, diz o major Félix. Ambos os ataques ocorreram a poucas quadras do quartel. “O que desperta mais a atenção na ocorrência é a proximidade com o batalhão. A área do quartel também é policiada, mas a quadrilha é profissional”, completa.

O delegado titular do 4º DP (Consolação), Luciano Augusto Pires Filho, que investiga os arrastões no bairro Higienópolis, afirma que a modalidade é nova na região. “Estes são os primeiros casos do ano. Agora, estamos estudando estratégias para combater esse tipo de crime”. Segundo o delegado, há indícios que a quadrilha que agiu na pizzaria Bráz seja a mesma que invadiu o restaurante Cartola. “É provável que seja a mesma, o modus operandi é semelhante”, afirma. O policial revelou que já tem pistas sobre os integrantes do grupo, obtidas após a análise das imagens das câmeras de segurança da pizzaria.

 

Em nota divulgada logo após o ataque, a Pizzaria Bráz informou que a ação dos bandidos durou cerca de 3 minutos. “Havia cerca de trinta clientes na loja, que tiveram dinheiro e pertences roubados. A abordagem dos seis assaltantes foi rápida, durou cerca de 3 minutos, e não foi violenta”, diz o texto.

No comunicado, a Bráz também afirmou que não há segurança de enfrentamentos em suas pizzarias. “(Há) apenas vigilância, pois (a Bráz) acredita que os clientes ficam menos vulneráveis dessa forma.”

Reforço no policiamento
Segundo o sub-comandante do 7º BPM, o bairro recebeu reforço no patrulhamento. “Colocamos mais duas viaturas de radiopatrulhamento e reforçamos a patrulha da força tática”, afirma o major Félix. “Esse é um tipo de crime impossível de prever, só podemos tentar prevenir. Imagina colocar uma viatura na porta de cada restaurante? É impossível. Por isso, trabalhamos com a prevenção”.

Além disso, de acordo com o PM, a polícia tem orientado os donos de bares e restaurantes da região a investir em segurança. “Os estabelecimentos podem colocar, em caráter preventivo, por exemplo, um sistema de monitoramento, tanto fora quanto dentro do espaço. É um investimento”, afirma. “Um dos restaurantes que foi roubado tinha esse sistema interno, o que está ajudando nas investigações”. A Polícia Militar ainda marcou reuniões com sindicatos de bares e restaurantes do bairro para distribuir cartilhas e orientar como os proprietários devem agir em caso de arrastão.

Para o major, a população também pode colaborar, evitando sair de casa com pertences de alto valor, como relógios e celulares caros. “Quanto menos material, menos pertences de valor conduzirmos, menos sujeitos estamos ao fenômeno que chamamos de vitimização, que são aquelas situações que favorecem para que haja o crime. Andar com o telefone na mão, distraído, ir ao restaurante com um relógio caríssimo, andar no trânsito com bolsa em cima do banco. Se as pessoas puderem colaborar para não favorecer a vitimização, é evidente que o crime será mais difícil de ocorrer”, afirma o PM.

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