PT cria plataforma digital para enfrentar Flávio Bolsonaro

Brasília (DF), 01/07/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do lançamento do Plano Safra 2025/26, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Partido dos Trabalhadores (PT) intensificou os esforços na estruturação de suas redes sociais para tentar reverter o que especialistas e aliados consideram um dos maiores entraves da pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos bastidores, a equipe petista trabalha contra o relógio para implementar um novo modelo de disseminação de informações, focado em ampliar o alcance das entregas do governo e neutralizar o domínio bolsonarista no ambiente digital.

O movimento é visto como uma resposta necessária à inovação estética e de linguagem que a oposição tem apresentado nesta largada para a eleição.

A nova ofensiva digital tem como base uma iniciativa liderada por Paulo Okamotto, presidente da Fundação Perseu Abramo e aliado histórico de Lula.

O projeto centraliza-se na plataforma batizada de “Pode Espalhar”, desenvolvida para distribuir conteúdos oficiais e peças de propaganda em canais como WhatsApp, Instagram e TikTok.

Embora as lideranças do partido evitem comparações diretas publicamente, interlocutores admitem de forma reservada que a intenção é criar uma estrutura capaz de rivalizar com o poder de fogo da direita, funcionando como uma espécie de contraponto organizado à rede de influência adversária.

A urgência da estratégia petista é alimentada pela percepção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem sido bem-sucedido em adaptar o legado digital do pai para o contexto atual.

Integrantes da campanha de Lula observam com preocupação a capacidade do senador de converter situações adversas em engajamento.

Diante desse cenário, o PT busca uma “fórmula” que consiga dialogar com o eleitorado além da bolha partidária antes que a disputa eleitoral entre em sua fase mais aguda.

A avaliação interna é que apenas divulgar atos oficiais não tem sido suficiente para barrar o crescimento dos perfis de oposição, que utilizam humor e cortes rápidos para dominar o algoritmo.

A implementação da plataforma de Okamotto surge, portanto, como a principal aposta para profissionalizar o compartilhamento de mensagens e tentar equilibrar o jogo nas redes sociais até o início oficial do pleito.

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