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PT busca apoio de igrejas para proibir “bets” no Brasil

Brasília (DF), 16/03/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebe o presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), deu início a uma ofensiva parlamentar para tentar viabilizar a proibição das empresas de apostas online, conhecidas como bets, em território nacional.

A estratégia central do congressista consiste em buscar o apoio formal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de grandes lideranças evangélicas.

A articulação visa sensibilizar o Congresso Nacional sobre os impactos sociais da atividade, utilizando a resistência histórica dessas bancadas religiosas aos jogos de azar para tentar construir uma maioria em um tema considerado de difícil tramitação, especialmente em ano eleitoral.

A base do argumento de Uczai, detalhada no projeto apresentado na última semana, foca no crescente endividamento das famílias brasileiras, com impacto mais severo sobre as camadas financeiramente vulneráveis.

Para sustentar a proposta, o parlamentar utiliza dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que revelam um cenário alarmante: o varejo brasileiro deixou de faturar R$ 103 bilhões em 2024 devido ao redirecionamento de renda para as plataformas de apostas.

No total, estima-se que os brasileiros tenham destinado R$ 240 bilhões ao setor apenas neste ano, fenômeno que a entidade associa diretamente ao vício e a danos socioeconômicos profundos.

O movimento no Legislativo ecoa uma preocupação que já chegou ao Palácio do Planalto e tem sido alvo de cobranças diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em agendas públicas recentes, o presidente defendeu maior rigor contra o setor, citando que a tecnologia transformou o ambiente doméstico em um “cassino virtual” acessível inclusive a crianças e adolescentes.

Segundo Lula, as apostas estão drenando recursos da população de baixa renda, o que justifica uma atitude governamental mais severa.

A convergência entre a pauta do Executivo e o lobby religioso pode, inclusive, provocar divisões na direita parlamentar, que se vê entre o apoio à liberdade econômica e os valores conservadores contrários ao jogo.

*Com Agências

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