Embora o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), tenha negado repetidamente a intenção de concorrer a cargos eletivos em 2026, a cúpula do PT já o define como o “Plano A” para a disputa ao governo de São Paulo.
A estratégia, revelada pelo jornal O Globo, visa garantir um palanque forte para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no maior colégio eleitoral do país.
Nos bastidores, o movimento ganha contornos de convocação. O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), vocalizou publicamente a pressão interna ao afirmar que a decisão “ultrapassa uma escolha individual” e faz parte de um projeto coletivo liderado por Lula.
“A gente precisa cumprir missões que muitas vezes, pessoalmente, a gente não queira”, declarou Santana.
Haddad tem sinalizado preferência por coordenar o programa de governo da campanha presidencial. No entanto, interlocutores afirmam que Lula tem atuado de forma gradual para convencê-lo a encarar uma revanche contra o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O diagnóstico do Planalto baseia-se no desempenho de 2022:
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Redução de danos: A candidatura de Haddad foi vista como essencial para estreitar a distância entre Lula e Jair Bolsonaro em solo paulista.
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Votação histórica: Com Haddad na disputa estadual, Lula obteve 4,3 milhões de votos a mais em SP do que em 2018.
Composição da chapa
A montagem do palanque paulista ainda é um quebra-cabeça. Além de Haddad, nomes como o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e das ministras Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede) circulam nas discussões para o governo ou Senado.
No caso de Tebet, uma eventual migração para o PSB é cogitada para viabilizar a aliança, dado que o MDB dificilmente caminharia com o PT no estado.
Mesmo diante da alta aprovação de Tarcísio, o PT aposta que o “senso de missão” falará mais alto para Haddad.
Em entrevista recente, o ministro da Fazenda suavizou o tom de recusa, admitindo que “não tem problema em conversar” com o partido e com o presidente sobre o tema.
