PSB discute federação com PDT e Cidadania

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) intensificou nas últimas semanas as articulações para formar uma federação partidária com o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Cidadania. A iniciativa, liderada pelo presidente nacional do PSB e prefeito do Recife, João Campos, visa consolidar uma frente de centro-esquerda com maior representatividade no Congresso Nacional e coesão política para os próximos ciclos eleitorais.

As negociações têm ocorrido de forma bilateral: o PSB mantém conversas separadas com o PDT e com o Cidadania, embora ainda não haja diálogo direto entre os dois últimos. Apesar disso, não há sinais públicos de resistência por parte das legendas, e o clima entre os dirigentes é de otimismo. João Campos tem defendido publicamente a união como uma estratégia para fortalecer o chamado “campo democrático”, destacando a importância de alianças duradouras e programáticas.

O histórico de diálogo entre PSB e PDT remonta a 2022, quando as legendas já discutiam a possibilidade de uma federação. O objetivo principal é superar a cláusula de barreira e ampliar a presença no Legislativo. O PDT, que recentemente adotou uma postura de independência em relação ao governo federal após a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência, vê na federação uma oportunidade de retomar protagonismo político e se reposicionar no cenário nacional. A possível saída de Ciro Gomes da legenda, com destino ao PSDB, também tem influenciado os rumos internos do partido.

Já o Cidadania, que atualmente mantém uma federação com o PSDB, está em processo de reavaliação dessa aliança. A sigla já sinalizou que não pretende renovar o vínculo com os tucanos após o prazo mínimo exigido pela Justiça Eleitoral, e vê no PSB um parceiro mais alinhado com seus princípios democráticos e sociais. O presidente do Cidadania, Comte Bittencourt, confirmou avanços nas conversas e destacou a convergência de agendas entre os dois partidos.

Nos bastidores, a articulação é vista como uma tentativa de reorganizar a centro-esquerda, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por outras federações, como PT-PCdoB-PV e PSOL-Rede, que têm lidado com disputas internas e desgaste político. A federação entre PSB, PDT e Cidadania surge, portanto, como uma alternativa viável para garantir estabilidade, ampliar recursos e fortalecer a atuação legislativa até as eleições municipais de 2026.

.